Agência Estado
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Incêndio destrói parque que é um dos cartões-postais de Belo Horizonte

Fogo já consumiu 80% da Serra do Curral, que mistura paisagem do Cerrado com Mata Atlântica

Aline Reskalla, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2011 | 20h48

BELO HORIZONTE - O fogo que castiga Minas Gerais desde agosto destruiu nos últimos dois dias o principal cartão postal de Belo Horizonte, a Serra do Curral, que teve 80% de sua área queimada. A polícia investiga relatos de testemunhas que teriam visto um homem jovem, com camisa vermelha, colocando fogo por volta das 10h de domingo em uma parte da vegetação do Parque das Mangabeiras, que fica ao pé da Serra.

De lá, as chamas teriam alastrado e, nesta segunda-feira, se aproximaram do hospital oftalmológico Hilton Rocha, no bairro Mangabeiras. O Corpo de Bombeiros conseguiu evitar que uma tragédia acontecesse. No final da tarde, no entanto, alguns focos ressurgiram.

Ninguém ficou ferido, mas das janelas das residências do bairro, que fica na zona sul da capital, o cenário era desolador. Apenas uma avenida separava a população do incêndio. "Foi um espetáculo triste", afirmou o médico pediatra Reynaldo Gomes de Oliveira, 55 anos, morador da rua José do Patrocínio.

A área verde devastada mistura vestígios de Mata Atlântica e Cerrado. Na Serra vive uma grande variedade de répteis, aves e mamíferos de pequeno porte como coelhos e esquilos. "A vegetação rasteira se recupera de novo. Já a morte dos animais é uma perda irreparável", lamentou Oliveira.

O médico acompanhou tudo desde o início e diz não entender o motivo pelo qual o helicóptero das forças de combate não atuou ontem mesmo no local. "Alguma coisa não funcionou porque o helicóptero só chegou 26 horas depois", questionou. O gerente do parque, André Funghi, disse que, enquanto alguns visitantes correram para avisar a administração, outros tentaram apagar os focos. A brigada do local foi convocada, mas não conseguiu controlá-los.

O capitão Frederico Pascoal, do Corpo dos Bombeiros, informou que as quatro aeronaves disponíveis estavam empenhadas no combate a outros dois incêndios de grandes proporções - na Serra do Cipó, a 90 quilômetros de Belo Horizonte, e na Serra do Rola Moça. "Não tínhamos recursos naquele momento, tínhamos que definir prioridades". Ele lembrou que, no Rola Moça, a situação foi ainda mais trágica, porque a região abriga vários condomínios fechados. Moradores tiveram que deixar suas casas. Muitos ajudaram no combate ao fogo.

Nesta terça-feira, um dia que seria para celebrar os 17 anos do Parque do Rola Moça, o único presente esperado pelos moradores, pelos animais e pela vegetação que restaram é que a chuva chegue e as chamas sejam, enfim, controladas. O capitão Frederico disse que os trabalhos de combate recomeçariam antes mesmo do amanhecer. No início desta noite, eles precisaram ser interrompidos por questões de segurança. Vários focos ainda resistiam, exigindo que agentes ficassem de plantão para proteger as residências.

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