Impasse ameaça comissão que controla caça a baleias

Se acordo entre países pró e contra a caça não surgir em 1 ano, CBI terá de ser revista, diz presidente

Associated Press,

25 Junho 2009 | 19h19

Um impasse entre países que defendem e condenam a caça às baleias está ameaçando a credibilidade da Comissão baleeira Internacional (CBI), disse o presidente da agência.

 

Negociações sobre caça à baleia não chegam a acordo

 

Os países-membros não foram capazes de cumprir o prazo para encerrar a disputa durante a reunião anual da CBI, que ocorreu nesta semana em Portugal, disse William Hogarth.

 

Os delegados concordaram em manter as negociações por mais um ano, e Hogarth afirmou que um acordo é "extremamente crítico" para o futuro da CBI.

 

"Só temos mais um ano", disse ele. "Se não, então teremos terminado e precisaremos olhar para como a CBI funcionará no futuro".

 

Tentar encontrar um ponto comum entre os países que querem continuar matando baleias e os que dizem que as caçadas têm de parar tem sido "extremamente difícil", afirmou. Ele descreveu a CBI, que chefia há três anos, como "um grupo disfuncional".

 

O impasse perdura desde que uma proibição à caça de baleias para fins comerciais entrou em vigor, em 1986. O Japão continuou a matar os cetáceos, sob uma cláusula do acordo que permite a caça para fins científicos. Ambientalistas dizem que a caçada japonesa é de fato comercial, e a ciência é apenas usada como pretexto. O programa japonês abate cerca de mil animais a cada ano.

 

Islândia e Noruega também caçam baleias, simplesmente ignorando a regra da CBI. Estados Unidos, Austrália e União Europeia querem que a caçada pare de vez, ou que ao menos seja severamente reduzida.

 

Uma maioria de três quartos dos 85 países que compõem a CBI é necessária para que haja mudanças significativas na convenção que regula a caça às baleias. O japão conta com o apoio dos países com quem mantém estreitos laços diplomáticos e econômicos, o que deixa a CBI dividida.

A CBI é a única instituição global concebida especialmente para administrar os estoques de baleias nos mares. Foi criada em 1949, por países com tradição na indústria baleeira.

 

A porta-voz do grupo ambientalista WWF, Sue Lieberman, disse que o impasse em torno da caça vem impedindo que a CBI discuta questões mais atuais, como o risco que as baleias enfrentam por causa da poluição sonora e química das águas, causada por navios e submarinos, e a mudança climática.

 

Os países que defendem a caça dizem que algumas espécies de baleias são abundantes o bastante para serem caçadas de forma controlada. 

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