Imagens do satélite Alos ajudam Rondônia a detectar desmatamento

Ao invés de sistema ótico, satélite utiliza um radar para detectar áreas desmatadas e, por isso, pode "ver através das nuvens"

Karina Ninni, Especial para O Estado

04 Março 2010 | 21h32

Os primeiros resultados do monitoramento da Amazônia pelo satélite japonês Alos já aparecem em Rondônia. As imagens possibilitaram diferenciar um roçado alto de um corte raso de madeira, detalhes fundamentais para a identificação de crimes ambientais.

Desde janeiro, as agências do Ibama na região podem contar com imagens do Alos, que consegue monitorar o desmatamento mesmo com o céu encoberto por nuvens. Isso porque não funciona com sistema ótico, como os satélites que as agências ambientais vinham utilizando para monitorar a região.

“O Alos funciona com um sistema de radar. Sinais de micro-ondas são enviados para a terra, atravessam as nuvens, chegam ao solo e voltam para o espaço”, esclarece César Luiz Guimarães, superintendente do Ibama em Rondônia (RO).

O uso das imagens foi possível graças a um convênio do Brasil com a Jica (Agência de Cooperação Internacional Japonesa). As imagens são fornecidas gratuitamente às agências ambientais.

Para Guimarães, as imagens fornecidas pelo Alos vêm preencher uma importante lacuna na atuação do Ibama. “Os meses de dezembro a maio são de difícil monitoramento pelos satélites convencionais, por conta das chuvas. E, é claro, quem desmata ilegalmente sabia que o governo não tinha ferramentas para detectar essa atividade. Agora, já temos”, diz Guimarães.

O período de chuvas é particularmente problemático para o monitoramento do desmatamento na Amazônia porque as estradas do interior ficam intransitáveis. Além disso, o aumento do volume das águas ajuda a transportar a madeira pelos rios, geralmente em balsas feitas de toras.

Em janeiro, quatro técnicos do Centro de Sensoreamento Remoto e outros quatro da Polícia Federal, em Brasília, foram para o Japão receber treinamento para decodificar as imagens do Alos, que fica a cerca de 700 quilômetros de altitude. "As imagens se parecem com uma ultrassonografia", compara Guimarães.

Ele diz que o Ibama tem sido fundamental para o desenvolvimento dessa tecnologia. “Na verdade, nós é que estamos testando o sistema. Como retroalimentamos a central japonesa com informações sobre o que o satélite captou, estamos ajudando a calibrar os sensores do Alos”, explica.

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