WERTHER SANTANA/ESTADÃO
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'Hidráulicas não são mais o maior potencial energético do Brasil, mas sim a energia eólica'

Ildo Sauer, professor titular de energia da USP, defende maior investimento em energia eólica e solar fotovoltaica no País

Juliana Tiraboschi, Especial para o Estado

27 Setembro 2017 | 18h18

Em entrevista à TV Estadão, Ildo Sauer, professor de energia da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o Brasil não está aproveitando todo o seu potencial de geração de energia eólica. Sauer é vice-diretor licenciado do Instituto de Energia e Ambiente da USP e candidato a reitor da universidade

“Nos últimos anos houve uma mudança de paradigma energético no mundo, com o avanço da tecnologia, ganho de escala e participação da Califórnia, Europa e China. Os custos de produção de energia eólica baixaram muito”, diz o professor.

Segundo Sauer, o Brasil se beneficia também desse crescimento da energia eólica no mundo. Apesar de o País ainda não ter mapeado todo o seu potencial, o professor afirma que poderíamos atender a toda a demanda futura de energia brasileira usando parte desse potencial. “O IBGE estima que a população brasileira vai se estabilizar em 220 milhões de habitantes até 2043”, diz. “Mesmo se, para essa população, dobrarmos nosso consumo per capita, que hoje é de 2,5 a 3 megawatt-hora, poderíamos suprir essa demanda com apenas metade do potencial eólico conhecido e o hidráulico já instalado”, afirma.

Matriz solar, eólica e hidráulica. Segundo Ildo Sauer, o Brasil tem a matriz energética mais renovável do mundo não por conta de um planejamento nesse sentido, mas por características naturais e escolhas econômicas. 

Para o professor, outro potencial pouco aproveitado é a geração de energia solar fotovoltaica. “Hidrelétrica você tem que instalar onde tem água, e a eólica onde há vento suficiente. A energia solar tem uniformidade muito maior”, diz. O professor aponta que as grandes centrais de geração de energia precisam de estrutura de transmissão e distribuição da eletricidade. Porém, a tecnologia fotovoltaica, com instalação localizada diretamente no ponto de consumo, como residências, são muito mais vantajosas. Apesar de ser cara, o custo dela vem caindo e há a vantagem desses sistema dispensar a estrutura de transmissão e distribuição necessária nas grandes centrais.

Além disso, com esse sistema o usuário pode devolver o excedente de energia gerada para as concessionárias e acumular créditos, que podem ser usados em épocas de menos incidência de sol, por exemplo. Para o professor, o problema da intermitência da incidência de sol e vento pode ser compensado no Brasil usando as hidrelétricas como reservatórios de energia para quando os sistemas solares e eólicos não conseguirem suprir a demanda necessária. 

“Infelizmente o governo tem tomado decisões erradas com leilões centralizados. Também há a questão da má gestão e organização do sistema, além do lobby. Temos uma das tarifas mais caras do mundo e insegurança na distribuição, com apagões, mesmo tendo melhor portfólio de recursos naturais”, diz. 

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