Gero Breloer/AP
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Greenpeace protesta contra energia nuclear na Alemanha

Ativistas se opõem à decisão da chanceler Angela Merkel de manter usinas nucleares funcionando no país

AP

28 Outubro 2010 | 16h47

Berlim - Na quinta-feira, ativistas do Greenpeace invadiram o telhado da sede do Partido Democrata Cristão (CDU, na sigla em alemão), da chanceler Angela Merkel, para pendurar uma grande bandeira com mensagem anti-nuclear. Esse é um dos vários protestos contra o plano governamental de Merkel que prevê a extensão do funcionamento das usinas nucleares alemãs.

 

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Merkel quer reverter a decisão do governo anterior de desativar todo o sistema de energia nuclear do país até 2021. A chanceler afirma que o projeto nuclear é necessário para manter a energia barata e acessível, até que a Alemanha desenvolva mais fontes renováveis em 2050.

 

A sua proposta, aprovada facilmente pela Câmara dos Deputados alemã na quinta-feira, onde a chanceler possui maioria, estende a vida produtiva das 17 usinas nucleares da Alemanha por 12 anos.

 

Partidos de oposição e grupos de ativismo ambiental - que salientam os efeitos trágicos do desastre nuclear de Chernobyl, ocorrido em 1986 na Ucrânia - dizem que o plano de Merkel aumenta os riscos de um acidente nuclear no país. Eles também inferem que a decisão poderia minar o impulso em direção a energias renováveis, como a solar ou a eólica.

 

As empresas nucleares são a favor do plano, que prevê que o governo receba fundos das quatro companhias de energia atômica alemãs: E.ON AG, RWE AG, EnBW AG e a subsidiária alemã da empresa sueca Vattenfall Europe.

 

As críticas julgam o plano como uma forma imprudente de Merkel arrecadar fundos para o governo. No banner do Greenpeace, a mensagem é de que o partido da chanceler está moldando "políticas para a indústria nuclear". Na quinta-feira, os manifestantes erguiam cartazes com slogans como "energia atômica mata".

 

"Vocês estão colocando tudo em jogo por conta do interesse em lucrar com quatro empresas", disse aos parlamentares o líder do partido de esquerda Gregor Gysi, ao especular sobre o que poderia acontecer se um acidente nuclear ocorresse na alemanha: "É inimaginável".

 

Apesar de ter sido aprovado pela Câmara dos Deputados, o plano pode encontrar problemas na Alta Câmara do Parlamento antes da implementação. Merkel diz que a aprovação na Alta Câmara, onde ela não possui maioria, não é requerida.

 

A base de Merkel também afirma que as termoelétricas a carvão existentes na Alemanha levantam preocupações sobre as emissões de gases estufa, e que a energia renovável como a eólica são mais caras, e, no momento, só cumprem uma pequena parte da demanda energética do país.

 

A extensão da vída últil para as usinas nucleares é, em média, 12 anos, mas com variações: as que foram construídas antes dos anos 80 ganham oito anos, e as mais recentes, 14. Nenhuma nova usina será construída.

 

Em retorno aos lucros adicionais que vão obter, as empresas nucleares pagarão uma taxa anual, e terão que contribuir para um fundo de energias renováveis. Ao todo, o governo alemão espera €2.3 bilhões por ano das companhias nucleares, a partir do ano que vem.

 

A imposição é parte de um amplo pacote de medidas de austeridade do governo. Novos impostos também estão em discussão no parlamento, que tem o objetivo de economizar €80 bilhões (US$ 111 bilhões) até 2014.

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