Greenpeace: governos nunca foram tão pressionados a agir

Diretor da ONG prevê consequências eleitorais para falta de progresso e ambição em resolver aquecimento

Efe

06 Janeiro 2010 | 12h06

O diretor do Greenpeace International, Kumi Naidoo, acredita que "nunca" governos "têm sido tão pressionados ou forçados a agir" sobre as alterações climáticas como depois da Cúpula de Copenhague, que marcou um "antes" e um "depois" na mobilização dos cidadãos. 

 

Naidoo disse isso em uma entrevista à EFE, por ocasião de uma visita à Espanha, a primeira parada da viagem realizada pelos países de origem dos quatro ativistas do Greenpeace que foram presos durante a Conferência do Clima e que permanecem detidos na capital dinamarquesa. 

 

Para Naidoo, a mobilização da sociedade civil em Copenhague teve como protagonistas "não só os 'suspeitos de costume', como Greenpeace, WWF e Friends of the Earth, mas também sindicatos, grupos religiosos, movimentos sociais, comunidades indígenas ..., pessoas que não são dedicadas ao ativismo ambiental". 

 

O sul-africano, ativista de direitos humanos há 15 anos, afirma que pode "sentir um interesse entre as pessoas jovens para a luta contra as mudanças climáticas que não viu nos últimos dez anos". Por conseguinte, prevê que "haverá consequências eleitorais para líderes que não demonstrarem progresso e ambição" para resolver

aquecimento global. 

 

"É inocente pensar que os Estados não vão repetir os erros do passado, mas se há algum momentos em que podemos esperar que os governos hajam é agora, provavelmente, devido ao alto nível de consciência global sobre o aquecimento global", disse ele. 

 

Embora existam "lobistas sofisticados" no setor de petróleo e combustíveis fósseis que "gastam milhões na desinformação de milhões de pessoas" sobre as mudanças climáticas, "os argumentos morais e científicos estão ganhos" e agora só faltam os países se comprometerem "com urgência" com metas de redução das emissões de gases de efeito estufa e com ações específicas. 

 

Estes compromissos devem se concretizar antes de 1º de Fevereiro, conforme estabelecido pelo acordo em Copenhague, e este será o primeiro teste a que se submeterão os países após a cúpula do clima. Em resposta, o Greenpeace está "pressionando" a União Europeia através de ações e campanhas na internet para que se comprometa a reduzir as suas emissões em pelo menos 30% até 2020, embora ambientalistas defendam uma redução de 40%. 

 

A União Europeia chegou a Copenhague com a intenção de reduzir suas emissões em 20% até 2020, em comparação aos níveis de 1990, expansível até 30% se outros países fizeram esforços comparáveis. 

 

Antes da próxima conferência do clima no México (em dezembro de 2010), o país enfrenta um segundo teste, durante a preparação para uma reunião da Conferência das Partes, a ser realizada em junho, em Bonn, na Alemanha. 

 

O chefe do Greenpeace espera que na reunião alemã os países tenham uma postura diferente para evitar que "tudo seja relegado para o México". Entre essas duas datas, "temos de tentar pressionar os países para fazer todo o possível e não atrasar as açãos individuais para um lento tratado global". 

 

Kumi Naidoo reconheceu que a União Europeia perdeu a liderança no processo negociador, após os Estados Unidos chegarem a um acordo com um pequeno grupo de países em Copenhague, e considera que recuperá-lo "seria bom para o mundo". 

 

No entanto, ressalta que a liderança só foi possível graças ao ativismo ambiental dos cidadãos europeus, "que têm entendido a gravidade do problema" e também à falta de atitudes da gestão anterior, do ex-presidente americano George W. Bush. "A administração Bush foi tão patética que conseguiu fazer com que a UE parecesse muito melhor do que era na prática", sentencia. 

 

Sobre a reunião do México, Naiboo acredita que todos os países, tanto os ricos como os países em desenvolvimento, "têm que fazer muito melhor do que em Copenhague". Apesar disso, para o líder ambientalista, é "errado" esperar mais dos países emergentes, "quando eles não têm a mesma responsabilidade política do que outros".  

 

O diretor-executivo do Greenpeace na Espanha, Lopez Juantxo Uralde, e três outros militantes da organização estão na prisão desde 17 de dezembro em Copenhague, após a realização de um protesto pacífico no jantar de gala que a rainha da Dinamarca ofereceu aos chefes de Estado que participaram da Conferência do Clima.

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