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Grandes economias debatem CO2; Greenpeace faz alerta

Reunidos na Itália, presidentes e primeiros-ministros deverão analisar proposta de reduzir as emissões

Associated Press,

07 Julho 2009 | 14h47

Os moradores de Paris foram surpreendidos por uma nova vista nos arredores da Torre Eiffel: um iceberg flutuando pelo Rio Sena.  Na véspera da reunião do G8 em L´Aquila, na Itália, o iceberg de plástico é uma tentativa de convocar os líderes das maiores economias do mundo a combater a mudança climática.

 

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O diretor do Greenpeace em Paris, Pascal Husting, afirmou que os ativistas desejam que os líderes "comprometam-se com metas obrigatórias de redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa" e com ajuda financeira aos países que serão os mais atingidos pela mudança climática.

 

Também nesta semana ocorre a cúpula do Fórum das Grandes Economias, que reúne o G8 e os maiores poluidores do mundo em desenvolvimento, numa tentativa de desbloquear as negociações para o novo acordo contra a mudança climática, faltando cinco meses para o prazo final para a definição dos limites da emissão global de CO2.

 

Reunidos na Itália, presidentes e primeiros-ministros deverão analisar a proposta de reduzir as emissões pela metade até 2050, embora ainda existam desentendimentos sobre como esse total deve ser medido.

 

Eles também discutirão como canalizar novas tecnologias para economias em desenvolvimento, e como gerar os bilhões de dólares necessários para ajudar esses países a manter suas economias crescendo com uma base de energia limpa.

 

O fórum, que congrega 17 países, é uma das reuniões mais importantes na escalada que leva à cúpula da ONU para a mudança climática marcada para dezembro, em Copenhague. A reunião na Dinamarca deverá apresentar um acordo para suceder o Protocolo de Kyoto, firmado em 1997.

 

Em sua última cúpula, realizada no Japão, o G8 comprometeu-se a reduzir suas emissões de CO2 em 50% até 2050, mas não ficou claro qual ano seria usado como base. Cientistas da ONU têm usado 1990, mas EUA e Japão preferem 2005.

 

A diferença é significativa: no intervalo de 15 anos entre as duas bases, as emissões dos Estados Unidos aumentaram 23%.

 

 Yvo de Boer, principal autoridade das Nações Unidas para a negociação da mudança climática, disse esperar que as grandes economias assinem o compromisso para 2050 na reunião desta semana.

 

Também seria importante, disse ele, firmar metas intermediárias para 2020 e definir como financiar os países pobres para que se adaptem à mudança climática.

 

O acordo assinado em Kyoto exigia que 37 economias industrializadas cortassem suas emissões em 5%, até 2012, sobre a base de 1990, mas não exigia nada dos países em desenvolvimento.

 

As negociações para Copenhague estão paralisadas em torno das exigências contraditórias de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os países em desenvolvimento querem que os ricos aceitem fazer cortes de até 40% em suas emissões até 2020, sobre a base de 1990, e as nações desenvolvidas exigem que os cortes sejam obrigatórios para todas as nações.

 

Os países em desenvolvimento dizem que só assumirão um perfil de crescimento baseado em energia limpa se tiverem acesso a fundos  e tecnologia.

 

Os Estados Unidos, que abandonaram o acordo de Kyoto, querem fazer parte no novo tratado, mas dizem que não é realista esperar um corte de 25% sobre 1990 na próxima década. A proposta do presidente Barack Obama fala em 17% sobre 2005 - o que representaria 4% sobre 1990 - e 83% até 2050.

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