Governo vai criar instituto na Amazônia

Projeto, parceria do Ministério da Ciência e Tecnologia com empresas privadas, visa a produzir ciência e produtos com materiais da região

João Villaverde, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2012 | 02h07

BRASÍLIA - O governo federal vai constituir, no ano que vem, um instituto para pesquisas geológicas e científicas na Amazônia. O laboratório deverá ser instalado no Estado do Amazonas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com as empresas que desejarem participar do projeto.

O instituto vai abrigar centros tecnológicos federais e também parques de pesquisa e plantas de companhias privadas. O governo quer produzir ciência e fabricar produtos com materiais da região. O Instituto Amazônia, como o projeto é provisoriamente chamado, já foi apresentado à presidente Dilma Rousseff, que deu sinal verde para a iniciativa.

Segundo o ministro Marco Antônio Raupp, o titular do MCTI, o Instituto Amazônia vai levar centros tecnológicos e estratégicos para a floresta, uma região ainda isolada da pesquisa científica de ponta praticada no resto do País.

De acordo com Raupp, que já foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e completa um ano na Esplanada dos Ministérios em Brasília, o governo federal tem mantido contato direto com empresas que já atuam na região para modelar o novo instituto.

"Empresas como a Natura fazem um ótimo trabalho com o desenvolvimento de produtos daquela região e o governo federal precisa aprimorar isso, com pesquisas sobre território e vegetação, e levantar nesse centro de pesquisa também um catálogo do que é possível encontrar por lá, para desenvolver parcerias com empresas e outras áreas do próprio governo", afirmou Raupp.

Mão de obra

A ideia é desenvolver um projeto federal com recursos públicos e privados. Além da União, o instituto terá participação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Um dos objetivos do governo é aumentar a qualidade da mão de obra na região.

"Queremos levar cientistas e pesquisadores das melhores universidades e institutos federais para lá, aproveitar o interesse deles de estudar a Amazônia e fazer esse conhecimento ser disseminado", disse Raupp. "Temos de ter cientistas amazonenses."

Uma dificuldade que o governo está tentando contornar é a divisão dos recursos que serão gerados com a eventual comercialização do que for produzido em conjunto entre setor público e privado dentro do Instituto Amazônia.

"Há a questão do acesso à mata, para coleta de organismos para serem pesquisados, e depois como vamos repartir os recursos do que for descoberto e desenvolvido", disse Raupp.

Desbravando a costa. Outro foco do ministério no ano que vem será a criação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas e Hidroviárias (Inpoh), que terá como parceiros a Secretaria Especial de Portos e o Ministério dos Transportes.

O objetivo do Inpoh será o mesmo do Instituto Amazônia - desenvolver a pesquisa e a ciência, com base nos materiais da região (no caso do Inpoh, a costa brasileira).

"Vamos comprar um navio oceanográfico, que está entre os cinco mais bem equipados do mundo, com muita infraestrutura embarcada, de forma a nos ajudar nas pesquisas no fundo do mar, com foco especial em petróleo e minerais", disse Raupp.

O navio custa cerca de US$ 80 milhões, segundo o ministro, e será adquirido com recursos do ministério, da Marinha e das empresas Petrobrás e Vale. "Queremos conhecer a costa brasileira e tudo o que ela pode render para o País em termos de recursos científicos e produtivos, tal qual a Amazônia", afirmou Raupp.

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