Governo americano anuncia nova política petrolífera

A Agência de Administração de Terras decidirá quais terras federais devem ser arrendadas para exploração

Reuters

06 Janeiro 2010 | 20h15

O governo americano anunciou nesta quarta-feira uma nova política para as perfurações de petróleo e gás, com vistas a proteger o ambiente. “Na administração passada, os conglomerados do petróleo e do gás, em essência, eram os reis do mundo”, disse o secretário do Interior, Ken Salazar. O secretário denunciou que, no passado, as terras públicas eram como uma “loja de doces” para a indústria, que podia “entrar e pegar o que quisesse”.

 

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Salazar rechaçou afirmações de porta-vozes da indústria petrolífera de que a mudança de política reduziria o fornecimento de energia aos lares americanos. Com as mudanças, a Agência de Administração de Terras (BLM, na sigla em inglês), que supervisiona as atividades de perfuração terrestre, terá um papel mais ativo na decisão de quais terras federais devem ser arrendadas para exploração. Anteriormente, cabia às empresas escolher os locais que queriam explorar.

 

O BLM continuará recebendo pedidos da indústria, mas vai planejar a abertura de novas fronteiras de prospecção. Os funcionários da agência também serão instruídos a, em lugar de despachar de seus escritórios, fazer mais visitas de campo para garantir que as atividades das empresas não prejudiquem animais silvestres nem seu hábitat.

 

Salazar disse que as empresas de energia já têm à disposição muitas terras federais para a prospecção de petróleo e gás, mas 12 milhões dos 44 milhões de acres arrendados estão em produção. Afirmou ainda que as reformas darão segurança jurídica às companhias. Segundo o secretário, em 1998 pouco mais de 1% dos arrendamentos de terra sofreu contestação, número que cresceu para 40% em 2008.

 

Apesar disso, a indústria criticou a nova política. “Em um cada vez mais familiar discurso dúbio deste governo, o secretário do Interior Salazar voltou a falar da importância do petróleo e do gás natural, enquanto torna mais difícil a produção de petróleo e gás americanos”, disse Jack Gerard, presidente do Instituto Americano do Petróleo (API, na sigla em inglês). As companhias alegam que as mudanças tornarão mais lenta a liberação da prospecção em terras públicas e reduzirão a área disponível para exploração.

 

“Não é de se estranhar que a indústria esteja protestando. Durante oito longos anos, foi ela que praticamente escreveu as regras”, disse a ambientalista Amy Mall, analista de políticas do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. “A administração Obama está trabalhando para restabelecer o equilíbrio e proteger a água limpa, o ar limpo e a vida silvestre dos Estados Unidos”, disse Amy Mall, analista de políticas do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

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