Furacão Dolly atinge o Texas e pode causar enchente

O furacão Dolly atingiu na quarta-feira a fronteira do Texas com o México, levando chuvas torrenciais e ventos de até 150 quilômetros por hora. O primeiro lugar a ser atingido foi a ilha Padre do Sul, onde o vento arrancou telhados, dobrou palmeiras e deixou milhares de habitantes sem energia. Nas primeiras horas em terra, o furacão já provocou 300 milímetros de chuvas. "Meu píer foi derrubado, o prejuízo até agora é de uns 50 mil dólares", contou Russell Stockton, que opera uma empresa que leva turistas para verem golfinhos. Dolly chegou a essa ilha costeira como um furacão da categoria 2 na escala Saffir-Simpson (que vai até 5), mas rapidamente caiu para a categoria 1, segundo o Centro Nacional de Furacões (CNF). "O principal dano desta tempestade provavelmente será a inundação no interior", disse John Nielsen-Gammon, climatologista oficial do governo texano e professor da universidade local A&M. A tempestade não afetou a produção de petróleo no golfo do México, o que ajudou a cotação do produto a cair ao seu menor valor em seis meses, abaixo de 125 dólares. A Marinha mexicana disse ter encontrado o corpo de um pescador que desaparecera na península do Yucatán (sudeste) quando Dolly passou por lá -- foi a única vítima até agora. Estima-se que o furacão possa provocar chuvas de até 510 milímetros no sul do Texas e nordeste do México nos próximos dias. Soma-se a isso o temor de que a ressaca marítima suba pelo rio Grande (que delimita os dois países) e destrua diques, provocando inundações graves. As autoridades dizem que as barragens do rio Grande já resistiram a uma situação semelhante na época do furacão Beulah, em 1967, mas se deterioraram muito desde então. O Texas colocou 1.200 soldados da Guarda Nacional de prontidão e emitiu um alerta para 14 condados litorâneos. Há 250 ônibus preparados em San Antonio para retirar moradores do litoral, mas isso só deve acontecer se Dolly passar à categoria 3. Este é o segundo furacão na temporada de 2008 no Atlântico Norte, que parece excepcionalmente ativa. Em média, a quarta tempestade tropical se forma por volta de 29 de agosto. Dolly, a quarta deste ano, se formou em 20 de julho. (Reportagem adicional de Jim Forsyth em San Antonio, Michael Christie em Miami, Tomas Bravo em Matamoros, México, e Jose Cortazar em Cancun)

CHRIS BALTIMORE, REUTERS

23 Julho 2008 | 18h50

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