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FÁBIO MOTTA/ESTADÃO

Fracasso na despoluição da Baía de Guanabara já virou ‘legado olímpico’

Órgão municipal vê ‘sociedade mordida’; prefeito lembra que pior estrutura foi argumento em defesa da Rio-2016

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Roberta Pennafort,
O Estado de S. Paulo

14 Março 2016 | 21h14

RIO - O economista Sergio Besserman, presidente do Instituto Pereira Passos, órgão da prefeitura do Rio responsável pelo planejamento da cidade, classificou de "legado olímpico" a tensão gerada pelo fracasso na despoluição da Baía de Guanabara para os jogos, que serão em agosto. O saneamento de 80% da baía, que vai receber as provas de vela, era um dos maiores desafios para os organizadores da Olimpíada.

"A sociedade ficou 'mordida' com isso. Essa tensão gerada é um tremendo legado dos Jogos Olímpicos", disse Besserman nesta segunda-feira, 14, em painel sobre a construção das "cidades do amanhã" realizado no Museu do Amanhã pelo Columbia Global Center do Rio, em comemoração ao terceiro aniversário do braço da Universidade de Columbia, de Nova York, na cidade.

Besserman acredita que o maior entrave para a limpeza da baía seja a governança, uma vez que a atribuição da despoluição é estadual, mas as medidas para coibir o lançamento de esgoto doméstico e industrial e lixo são dos municípios banhados por suas águas.

Ele lembrou que cidades como São Francisco e Tóquio conseguiram limpar suas baías, e advertiu: se o Rio não for capaz de fazê-lo, perderá sua força como cidade global. "A despoluição era um desafio, virou uma obrigação, uma condição para o desenvolvimento socioeconômico. No plano estratégico do Rio para os próximos 50 anos (lançado em 2015) incluímos uma novidade: mesmo que não seja atribuição do prefeito, ele tem obrigação política de se envolver nisso", apontou.

O prefeito Eduardo Paes participou do painel como orador principal e lembrou que o Rio venceu a disputa para sediar os Jogos por ter a pior infraestrutura das cidades concorrentes. O argumento usado: aqui, a competição faria diferença para a cidade e sua população, pois traria melhorias, quando em cidades como Tóquio, Chicago e Madri "já está tudo pronto".

Ao falar da presença da Universidade de Columbia no Rio, Paes fez piada ao comparar a conjuntura política no Brasil e nos Estados Unidos: "Comparar Dilma (Rousseff) e (Donald) Trump (pré-candidato à presidência)? Dilma é muito melhor! Trump mostra como tudo pode ser pior".

 

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