Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Fotografia para ‘salvar árvores' em SP

Concurso de fotos ajuda a despertar senso de preservação

Felipe Tau, Jornal da Tarde

01 Julho 2011 | 09h34

O ambientalista Ricardo Cardim, de 32 anos, é aficionado por plantas desde criança, quando desenhava a flora da Granja Julieta, bairro na zona sul da capital. Desde que ganhou sua primeira câmera fotográfica, aos 14 anos, já acumulou mais de 5 mil fotos de árvores em seu arquivo e pretende participar pela segunda vez do concurso de fotografia Árvores da Cidade de São Paulo, em sua sexta edição. "A fotografia é um tipo de salvação de uma árvore, nem que seja pela imagem", acredita.

Realizado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, o concurso tem inscrições abertas pela internet (veja como se inscrever abaixo) e dará prêmios como cursos, máquinas fotográficas compactas e livros aos cinco primeiros colocados, além de uma exposição para os 20 melhores trabalhos, em local a ser definido.

No entanto, para defensores do verde, o mais importante é despertar nas pessoas o senso de preservação, especialmente de espécies nativas. "Tento conquistar o interesse das pessoas por meio da beleza. Como vão proteger ou gostar daquilo que não conhecem?", afirma Fabio Colombini, de 46 anos, fotógrafo profissional há 23 e conselheiro da Associação Brasileira de Fotógrafos de Natureza (Afnatura).

Há três anos pesquisando a história das árvores da cidade, Cardim sugere a Figueira das Lágrimas entre os exemplares tipicamente paulistanos que valem a pena fotografar. "É a árvore mais antiga da capital, é muito fotogênica e tem cerca de 200 anos", estima, com base em uma fotografia de 1910 e documentos históricos segundo os quais Dom Pedro I teria passado pela Ficus organensis em 1822, a caminho de proclamar a Independência às margens do Rio Ipiranga. Ela vive no Sacomã, na Estrada das Lágrimas, 515, e é uma das 20 árvores centenárias levantadas por Cardim.

"Essas árvores têm uma grande importância histórica, ambiental e paisagística", resume o professor Gregório Ceccantini, do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo. Ele explica que, além de melhorar a qualidade do ar, aumentando a umidade e filtrando a poeira, as centenárias são registros vivos da atmosfera em outras épocas. "Conseguimos estudar mudanças climáticas por meio delas", afirma.

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente não possui um levantamento sobre o número de espécies nativas existentes na cidade, mas informa que, desde 2005, apenas mudas típicas da formação vegetal natural foram plantadas, como ipê roxo, pitangueira e jabuticabeira. De acordo com a pasta, o total de árvores na capital varia de 1,5 milhão a 2 milhões.

Inscrições

O prazo para participar do 6º Concurso de Fotografia Árvores da Cidade de São Paulo começou em junho e vai até 31 de agosto. A inscrição e o envio das fotos deve ser feito AQUI

Os candidatos devem ter mais de 18 anos enviar até 3 imagens. Os cinco primeiros colocados no concurso ganharão uma máquina digital compacta e livros de fotografia. Os três primeiros ganharão também bolsas de estudo no Senac no valor de R$ 800 a R$ 1200, e as 20 melhores fotos serão expostas pela Prefeitura.

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