Floresta ‘mumificada’ ajuda a entender reação das plantas a mudanças climáticas

Descoberta no Canadá, floresta soterrada por uma avalanche pode revelar como a tundra do Ártico responderá ao aquecimento

AP

16 Dezembro 2010 | 21h09

Em uma remota ilha no Ártico Canadense onde hoje não crescem árvores, uma floresta mumificada recém-descoberta está fornecendo aos pesquisadores uma pista sobre como as plantas reagem a mudanças climátricas ancestrais. Este conhecimento é estratégico, pois os cientistas começam a desvendar os impactos do aquecimento global no Ártico.

 

A antiquíssima floresta encontrada na ilha Ellesmere, localizada ao norte do Círculo Ártico, no Canadá, contém videiras, abetos e pinheiros secos. O pesquisador Joel Barker da Universidade do Estado de Ohio a descobriu sem querer enquanto acampava em 2009.

 

"Em determinado momento em alcancei um pequeno cume e a face do penhasco abaixo de mim estava crivada de madeira", relatou ele. Depois, já com uma bolsa de pesquisa, ele retornou para o local - que foi soterrado por uma avalanche entre 2 e 8 milhões de anos atrás- a fim de explorá-lo melhor. A neve que está derretendo expôs os remansecentes preservados de troncos, folhas e folhas de pinheiros.

 

Existe cerca de uma dúzia de florestas congeladas no Ártico canadense, mas esta é a mais remota já encontrada. A floresta existiu em um tempo em que o clima do Ártico, que era mais quente, foi se tornando frio como é atualmente.

 

A julgar pela lacuna de diversas espécies de madeira e pelas pequenas folhas das árvores, os cientistas suspeitam que as plantas lutaram muito para sobreviver à mudança rápida que sofreram.

 

"Esta comunidade estava por um fio", disse Barker, que apresentou suas descobertas na quinta-feira no encontro da American Geophysical Union, em São Francisco.

 

O próximo passo é examinar os anéis das árvores para entender melhor como condições climáticas passadas estressaram a vida das plantas e como a tundra do Ártico responderá ao aquecimento global.

 

Desde 1970, as temperaturas já subiram mais de 4,5 °C em boa parte do Ártico, muito mais rápido que a média global. Barker também planeja fazer testes de DNA nos remanescentes encontrados.

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