Famosos participam de campanha 'Floresta Faz a Diferença'

De Gisele Bündchen a Wagner Moura, diversas celebridades gravaram vídeos caseiros para se manifestar contra lei que altera o Código Florestal

Afra Balazina, de O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2011 | 21h02

Diversos famosos gravaram vídeos caseiros em apoio à campanha Floresta Faz a Diferença, que reúne cerca de 150 organizações contrárias ao projeto de lei aprovado na Câmara para alterar o Código Florestal. Rodrigo Santoro, Alice Braga e Wagner Moura são alguns dos atores que fizeram depoimentos.

 

Não havia roteiro nem direção. A ideia era que cada um gravasse como se estivesse conversando com um amigo via Skype, contam os publicitários Percival Caropreso e Raul Cruz Lima.

 

 

Um dos articuladores foi o cineasta Fernando Meirelles, que acabou editando os vídeos produzidos com câmeras pessoais, webcams e celulares e enviados a ele por e-mail. Isso possibilitou que mesmo de longe algumas pessoas pudessem participar da campanha - Wagner Moura, por exemplo, gravou em Vancouver, onde trabalha num filme.

 

"Como produção foi interessante, foram 25 filmes em 10 dias, a custo zero. Sem gastar gasolina, sem poluir", conta ele.

 

Marussia Whately, da coordenação da campanha Floresta Faz a Diferença, afirma ter ficado surpresa com tamanha adesão. "O Wagner Moura, por exemplo, acionou a Alice Braga."

 

Cientistas e especialistas também prepararam vídeos. Monica Cabello, engenheira agrônoma formada pela Escole Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, foi um deles. "Há quase 20 anos eu me formava como engenheira agrônoma na USP e, naquela época, nós ainda tínhamos aulas de como derrubar a mata com correntões. Essa mesma instituição nesses anos todos produziu inúmeras tecnologias de ponta para a produção agrosilvopastoril. Hoje, associar produção com devastação da floresta é assumir uma incompetência técnica e, muito mais do que isso, política", afirma.

 

Leia, a seguir, trechos dos depoimentos:

 

Rodrigo Santoro, ator:

"Eu sou neto de fazendeiro, eu cresci vendo lavoura de cana e soja. Sei da importância da agricultura para o Brasil. Mas estou muito preocupado com as mudanças que estão propondo para o Código Florestal brasileiro. Você senador, que vai votar essas mudanças, sabe que são as florestas que regulam o ciclo das águas. As florestas protegem os rios, as nascentes, estabilizam as encostas, diminuem a erosão. Acho que nós temos de aprender com as tragédias de deslizamentos, como as de Teresópolis, e enchentes, como as de Santa Catarina.

 

Nós sabemos que o Código precisa de uns ajustes para conciliar a agricultura e conservação. Mas nós não podemos, para isso, permitir, ou melhor endossar, a impunidade nesse País. E a proposta de mudança faz isso. Perdoa quem desmatou ilegalmente e desvaloriza quem respeitou a lei."

 

Alice Braga, atriz:

"Essa não é uma questão política que se negocie. A Câmara nos envergonhou ao cometer um dos erros mais graves da sua história. Por favor, não vamos cometer o mesmo erro e nos envergonhar diante do mundo todo.

 

José Padilha, diretor de cinema:

"Infelizmente, o Brasil é um País que tem grande tradição na devastação ambiental. A história da Mata Atlântica demonstra isso. (...) A mesma coisa está acontecendo na Amazônia. Um País assim precisa de leis ambientais muito duras, precisa de um Código Florestal bastante restrito. Eu espero que os nossos senadores levem em conta a história do Brasil ao analisar o Código Florestal que está no Congresso. Ele certamente não é forte o suficiente para preservar a nossa natureza."

 

Wagner Moura, ator:

"Eu não entendo a anistia para quem matou e torturou durante o Regime Militar, assim como eu não entendo anistiar grandes proprietários de terra que passaram anos desobedecendo a lei, passando sobre reservas florestais protegidas pelo governo. Isso é um atestado dado pelo próprio governo de que esse de fato é o País da impunidade."

 

Maria Flor, atriz:

"Desmatar custa mais caro. Os governos dos países que nos séculos passados destruíram suas florestas estão hoje tentando recompor aquilo que desmataram. Desmataram numa época em que não existia consciência ecológica. Hoje a gente sabe da importância da natureza na nossa vida. Não faz nenhum sentido cometer o mesmo erro com tantos anos de atraso."

 

Denise Fraga, atriz:

"Esse mudança criaria uma aliviadinha no Código. Se já é tão difícil fazer valer o Código com o tanto de desmatamento ilícito que a gente sabe que acontece no País, imagina com uma aliviadinha? (...) Eu não quero que mude o Código Florestal do meu País e há uma falta de sintonia entre os nossos representantes e o nosso querer. Portanto, ponha a boca no trombone. Diga não. Eu não quero que nem mais uma árvore suma das florestas do meu País. Eu não aguento mais ver a natureza gritando, as catástrofes ambientais acontecendo num grau nunca visto e ninguém fazendo nada."

 

Gisele Bündchen, atriz:

"Precisamos lutar para que este projeto não seja aprovado da forma como está. É necessário criar um novo projeto, mas um projeto mais moderno, mais em sintonia com o mundo em que vivemos. (...) Queremos crescer, mas com consciência, não a qualquer custo."

 

 

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