Europa escolhe menor oferta de corte de CO2 para ONU

Os 27 países do bloco decidiram adotar meta de 20% até 2020, cumprindo vontade da indústria

Pete Harrison, da Reuters

22 Janeiro 2010 | 11h02

A União Europeia vai ficar com a sua oferta mais baixa para o corte de emissões de carbono no âmbito de um acordo do clima pelas Nações Unidas, cumprindo os desejos da indústria europeia, de acordo com um documento em rascunho para o secretário da Convenção das Nações Unidas, Yvo de Boer. 

 

O bloco de 27 países se comprometeu unilateralmente a reduzir as emissões de dióxido de carbono em 20% durante a próxima década, com base nos níveis de 1990. 

 

A União Europeia não descarta manter a sua proposta de aprofundar os cortes para 30% se outros países desenvolvidos se comprometerem com esforços semelhantes, de acordo com o documento, ao qual a Reuters teve acesso. 

 

As negociações globais  da ONU sobre o clima, que foram realizadas em Copenhague, em dezembro de 2009, terminaram com um acordo fraco e não ofereceram propostas comparáveis. 

 

Especialistas dizem que o corte total oferecido pelo conjunto de países desenvolvidos não ultrapassa os 18% e estão longe dos 25 aos 40% de reduções que os cientistas da ONU disseram ser necessário para evitar mudanças climáticas perigosas. 

 

O mundo caminha atualmente para um aumento da média da temperatura global em 3,5ºC acima dos níveis pré-industriais até o final deste século, o que causaria o derretimento catastrófico do gelo e elevação do nível do mar, acreditam os cientistas. 

 

Mas muitos países da União Europeia e suas indústrias estão cautelosos com o aumento dos cortes para 30% porque o custo de reduzir a poluição pode colocar fábricas em desvantagem para os rivais em países que não terão metas obrigatórias. 

 

"Após o fracasso de Copenhague, seria tolice da União Europeia aumentar novamente sua meta de redução de gases de efeito estufa", disse Gordon Moffat, o chefe do grupo Eurofer de indústria siderúrgica, em um comunicado na quinta-feira. "Outros 10% seriam fatais."

 

Mas ambientalistas dizem que a União Europeia está sendo ingênua em pensar que a sua oferta condicional de 30% condicional cria qualquer influência na negociação e que o bloco deveria estabelecer essa meta de qualquer maneira para dar um exemplo moral. 

 

"Levar as negociações de combate às mudanças climáticas com a mesma estratégia que seria usada em negociações comerciais irá simplesmente levá-los a travar como o atual ciclo de negociações de negociações comerciais de Doha", disse Joris den Blanken, do Greenpeace. 

 

A Espanha, que detém a presidência rotativa da União Europeia até julho e redigiu o rascunho do documento a ser apresentado à ONU, vai esperar pelo feedback de todos os 27 países do bloco antes de assinar a carta e enviá-la na próxima semana. 

 

Diplomatas disseram que, em uma reunião de embaixadores da União Europeia em Bruxelas na quinta-feira, um grupo de países da Europa Oriental liderado pela Polônia se juntou a Itália, Chipre e Malta para pedir a eliminação de qualquer referência à oferta de 30% no documento. Grã-Bretanha, Dinamarca, França e Holanda queriam que a oferta de 30% fosse proeminente, mas isso foi mantido condicional.

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