EUA querem banir urso pardo e lobo cinzento da lista de espécies ameaçadas do País

Pressão de criadores de gado e caçadores pode fazer com que proteção às espécies seja suspensa; ambientalistas protestam

The Guardian

03 Dezembro 2010 | 13h48

A administração Obama está tentando suspender a proteção prevista na Lei de Espécies Ameaçadas para dois dos mais icônicos símbolos do oeste americano: o lobo cinzento e o urso pardo, em um movimento que tende a desencadear uma resistência feroz por parte dos ambientalistas.

 

A mudança planejada foi revelada em uma entrevista realizada nesta quinta com dois funcionários de alto escalão do Departamento do Interior, responsável pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA, agência que supervisiona a segurança da maioria das espécies ameaçadas de extinção.

 

Tanto o urso pardo quanto o lobo cinzento ocupam o topo do Grande Ecossistema de Yellowstone,  que engloba partes de Montana, Wyoming e Idaho. Esforços anteriores para remover os animais da lista das espécies ameaçadas dos EUA esbarraram na oposição de grupoes de conservação da vida selvagem, inclusive indo parar nos tribunais.

 

Os ambientalistas estão preocupados e dizem que assim como as espécies se recuperaram sob proteção da lei podem voltar ao status de ameaçadas se forem retiradas da lista, um movimento que os deixaria vulneráveis à caça.

 

Os caçadores esportivos e os fazendeiros, politicamente poderosos no oeste do País, advogaram com veemência pela retirada dos animais da lista, argumentando que são predadores e estão diminuido os rebanhos de outras caças, como alces, além de atacar o gado.

 

Lobos e ursos foram caçados, presos e envenenados até quase a extinção em 48 estados norte-americanos antes de serem incluídos na lista de espécies ameaçadas. A proteção federal dos lobos tem sido especialmente controversa desde que foram reintroduzidos na natureza nas Montanhas Rochosas em meados da década de 90, a despeito das objeções dos fazendeiros.

 

Sob pressão de criadores de gado e das gerências estaduais de meio ambiente, o governo federal removeu o lobo das listas de espécies ameaçadas dos estados de Montana e Idaho em abril de 2009, mantendo a proteção no Wyoming. Mas um juiz federal ornedou a restauração da lista em agosto deste ano, argumentando que a população de lobos das Montanhas Rochosas deveria ser tratada como um todo - e que portanto a proteção não poderia ser deixada intacta no Wyoming enquanto era suprimida em outros estados.

 

Dan Strickland, assistente da Secretaria do Interior para peixes, vida selvagem e parques, disse que a administração Obama irá buscar apoio do congresso para retirar as espécies da lista, se for necessário.

 

A retirada da lista significaria que os estados assumiriam o gerenciamento da população de 1.700 lobos estimada nas Montanhas Rochosas - mil a mais do que a meta que o governo federal tinha quando começou a tentar recuperar a espécie.

 

Na mesma entrevista, Dan Ashe, o vice-diretor do Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA, disse que a agência também vai retirar o urso pardo da lista na região deYellowstone.

 

"Estamos avançando com os Estados", disse ele, que previu uma resolução final em cerca de 18 meses.

 

O número estimado de ursos pardos na área de Yellowstone aumentou de 136, em 1975, para mais de 600, o que também excede a meta de recuparação do governo, fixada em 500 indivíduos.

 

Os ursos da área de Yellowstone foram retirados da lista em 2007 e os Estados prontamente organizaram temporadas de caça. Um ano depois eles voltarama fazer parte da lista, depois que os ambientalistas conseguiram uma vitória na justiça, argumentando que o governo federal havia falhado por não levar em conta fatores como a mudança climática em seu plano de recuperação da espécie. Eles também questionaram a viabilidade de uma população de 500 animais.

 

"O gerenciamento da vida selvagem supostamente tem de ser realizado com base na ciência e não em política", disse Mike Leahy, diretor regional do grupo Defensores da Voda Selvagem. "Isto significa que toda vez que um critério controverso vem à tona na interpretação da Lei de Espécies Ameaçadas,  o Congresso pode construir as proteções necessárias para conservar as espécies."

 

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