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EUA e China anunciam centro de pesquisa de energias limpas

Dependentes de petróleo externo, países buscam desenvolver alternativas para nova matriz energética

Associated Press,

15 Julho 2009 | 10h57

Os Estados Unidos e a China, os países que mais poluem no mundo, anunciaram nesta quarta-feira, 15, planos para um centro de pesquisa conjunto para o desenvolvimento de energia limpa. Após a eleição de Barack Obama, os EUA passaram a defender a redução de 50% da emissão de gases causadores do efeito estufa até 2050, mas a China e outras nações emergentes, como o Brasil, se recusam a adotar metas contra o aquecimento global.

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Com financiamento inicial de US$ 15 milhões e sedes nos dois países, o foco do centro é o desenvolvimento de energia limpa para construção de veículos e edifícios. "Podemos conseguir mais trabalhando juntos do que separados", disse o secretário de Energia dos EUA, Steve Chu, após um encontro com o ministro chinês de Ciência e Tecnologia, Wan Gang, em Pequim.

Na comitiva americana estava também o secretário do Comércio, Gary Locke, que pressionou por investimentos privados em energia solar, eólica e biocombustíveis. Os EUA defendem que a China evite adotar barreiras comerciais contra projetos de energia limpa. "Precisamos impulsionar investidores chineses e americanos para criarem alternativas energéticas sem barreiras comerciais artificiais.", disse Locke.

Obama vê o investimento em energia limpa como uma alternativa para tirar os EUA da crise. Seu pacote de estímulo destina bilhões de dólares para pesquisa energética. Seu objetivo é reduzir a dependência de petróleo.

A China, que também depende de petróleo externo, também tem interesse em desenvolver novas formas de energia, mas evita se comprometer com metas de emissão e culpa os países ricos pelo aquecimento global.

Locke e Chu, que são de ascendência chinesa, defenderam o regime de metas de emissão. " Daqui a cinquenta anos, não queremos que a comunidade internacional culpe a China pelo caos climático", disse Locke. O secretário de Energia acrescentou que, se nada for feito, a quantidade de carbono emitida pela China nos próximos 30 anos, será igual à lançada na atmosfera pelos EUA em toda sua história. "Estamos juntos nisso e temos que resolver o problema juntos".

Membros do governo chinês, por sua vez, se opõem a legislação ambiental americana aprovada recentemente pela Câmara que taxa produtos de países que não limitam suas emissões. "A implementação desta política prejudica o interesse dos países emergentes", disse o ministro do Comércio chinês, Yao Jian.

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