Estudo mostra valorização de serviços ecossistêmicos por empresas do País

Dado apresentado na Índia mostra que o porcentual de relatórios institucionais que incorporaram a avaliação de recursos naturais aos planos de negócios subiu de 33% para 47%

Bruno Deiro,

15 Outubro 2012 | 18h28

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) apresenta nesta segunda-feira, 15, na 11.ª conferência das partes da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), na Índia, um estudo que mostra a crescente valorização de serviços ecossistêmicos por empresas do País. Em um questionário com 22 participantes, subiu de 33% para 47% desde o ano passado o porcentual de relatórios institucionais que incorporaram a avaliação de recursos naturais aos planos de negócios.

A pesquisa, finalizada em agosto, envolveu 10 setores diferentes da economia: energia, serviços, mineração, papel e celulose, óleo e gás, holding multisetorial, agrícola,química, equipamentos e cosméticos. "Aquelas empresas que possuem maior dependência dos recursos naturais, como a indústria de base, empresas agroflorestais e de cosméticos, estão mais envolvidas no tema e desenvolvendo mais ações neste sentido", afirma Daniela Lerda, consultora do CEBDS.

O documento mostra que ações que promovam serviços vitais oferecidos pelos ecossistemas, como purificação da água e controle de erosão do solo, virou uma questão estratégica. Entre as razões mais citadas pelas empresas para incorporar  serviços ecossistêmicos aos relatórios estão a dependência do seu negócio em relação aos recursos, a manutenção da competitividade e a redução dos riscos a médio e longo prazos.

"O país está muito avançado nas discussões sobre o tema. Existem atualmente 28 iniciativas, incluindo leis e decretos estaduais e federais, além de outros projetos de lei relacionados a pagamento por serviços ambientais e REDD (redução de emissões por desmatamento e degradação)", diz Daniela.

Para que haja um sistema integrado, no entanto, a CEBDS aponta a necessidade de se compensar financeiramente aqueles que protegem os serviços ecossistêmicos. "O risco ao negócio é um argumento concreto (para convencer as empresas). Existem vários exemplos de empresas que negligenciaram os aspectos ambientais em suas operações e foram altamente prejudicadas", explica Daniela Lerda.

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