Arquivo/AE
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Estudo internacional propõe reforma agrícola contra a fome e a obesidade

Especialistas dizem que a pesquisa agrícola precisa de reformas 'radicais' e ser ampliada

Reuters

25 Março 2010 | 15h19

A agricultura precisa de uma mudança revolucionária para confrontar ameaças como o aquecimento global e para enfrentar a fome nos países em desenvolvimento, mas sem aumentar a quantidade de obesos no mundo, segundo um estudo internacional divulgado na quinta-feira, 25.

 

O relatório diz que o sul da Ásia e a África são "os campos de batalha da redução da pobreza", mas que as perspectivas são melhores na Índia e em Bangladesh do que na África subsaariana.

 

Financiado por entidades como Banco Mundial e Comissão Europeia, o relatório disse que a pesquisa agrícola precisa de reformas "tão radicais quanto aquelas que ocorreram durante as revoluções industrial e agrícola dos séculos 19 e 20".

 

De acordo com o estudo, é preciso ampliar a pesquisa nesse setor, e o sistema fragmentado de produção alimentícia, "da semente à mesa", precisa ser substituído por algo que garanta melhor cooperação entre pequenos agricultores, governos, empresas, cientistas, sociedade civil e outras instâncias.

 

Para atender à demanda alimentar projetada pela ONU até 2050, quando a população mundial deve atingir o seu auge, seriam necessários investimentos líquidos de 83 bilhões de dólares por ano (pelos valores de 2009), "um aumento de quase 50 por cento sobre os níveis atuais", disse o relatório.

 

Nas próximas quatro décadas, a população mundial deve passar dos atuais 6,8 para 9 bilhões de pessoas. Hoje, há entre 1 e 1,5 bilhão de pessoas vivendo na pobreza.

 

"Houve grandes avanços no desenvolvimento industrial nos últimos 50 anos, com notáveis aumentos de produtividade", disse Jules Pretty, professor de Meio Ambiente e Sociedade na Universidade Essex (Inglaterra), e um dos autores do estudo. "Mas ainda há 1 bilhão de famintos, e muito progresso tem sido feito à custa do meio ambiente", afirmou ele à Reuters.

 

"Logo ali há uma número de sérias ameaças que podem já estar ocorrendo - mudança climática, aperto energético, incerteza econômica no atual modelo e rápidas alterações nos padrões de consumo."

 

O estudo será apresentado nos dias 28 a 31 de março em uma reunião de cem especialistas agrícolas em Montpellier, na França.

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