J.Finn / Nature
J.Finn / Nature

Estudo desvenda biodiversidade do oceano profundo

Pesquisadores analisaram ofiuroides, parentes próximos das estrelas do mar que dominam a fauna do chão do oceano; veja fotos

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

11 Maio 2016 | 14h01

Como são as espécies que vivem no oceano profundo? Elas têm o mesmo padrão de biodiversidade das que vivem nas águas mais rasas? Foram perguntas como essas que um grupo de pesquisadores da Austrália, do Canadá e do Reino Unido buscou responder em estudo publicado na edição desta semana da revista Nature.

Provavelmente o maior e menos conhecido ecossistema da Terra, o oceano profundo é também um ambiente unicamente pobre em energia, o que poderia levar a crer que seria também pouco habitado. Mas uma série de animais acabaram desenvolvendo maneiras de ocuparem essas regiões. 

Para entender como funciona a biodiversidade nesses locais, os pesquisadores, liderados pelo biólogo Skipton Woolley, do Museu Victoria, em Melbourne (Austrália), analisaram um banco de dados de mais de 165 mil registros de distribuição dos chamados ofiuroides, parentes próximos das estrelas do mar e que dominam a fauna do chão do oceano.

Neste trabalho eles mapearam 2.099 espécies dessas variantes de estrela do mar e compararam os padrões de diversidade em três profundidades: na plataforma continental (de 20 a 200 metros), no talude continental superior (de 200 a 2.000 metros) e no oceano profundo (de 2.000 a 6.500 metros).

O padrão de biodiversidade no fundo do mar, observaram os pesquisadores, é fundamentalmente diferente daquele observado em espécies de águas mais rasas. No oceano profundo, a riqueza de espécies é maior nas latitudes mais altas (de 30° a 50°), ou seja, mais para longe da linha do Equador. 

Já nas duas camadas superiores, o pico de riqueza de espécies ocorre nas áreas tropicais do Pacífico e no Caribe (latitudes de 0° a 30°). Os autores descobriram que para as espécies que vivem a até 2.000 metros de profundidade, o fator temperatura é o mais importante, por isso elas ficam na faixa tropical. Já no oceano profundo, a temperatura pouco importa. Ali é tudo muito frio mesmo. 

Segundo o grupo, outros fatores passam a ser fundamentais, como altos níveis de transporte de energia química, que acabam refletindo a disponibilidade de comida. Desse modo, a maior concentração de espécies no fundo do mar se dá em áreas de alto fluxo de carbono. Outra área favorita dos animais que vivem no oceano profundo são as regiões próximas às margens continentais.

De acordo com os pesquisadores, o oceano profundo tem alta produtividade e conectividade com as áreas mais rasas, o que aumenta ainda mais a importância delas para a biodiversidade. Com base nesses resultados, os pesquisadores pedem por um aumento dos esforços para a conservação desses locais. “Áreas tropicais são tipicamente muito diversificadas em suas águas rasas e em terra, de modo que acabam sendo o foco para os esforços de conservação. Mas as áreas mais profundas também precisam ser consideradas para a conservação, a fim de se obter uma melhor ação de gestão em alto mar,” escrevem.

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