Estudo avalia adaptação a efeito estufa na Amazônia

Cientistas acreditam que peixes já possuem genes que os ajudariam a suportar um ambiente com alta concentração de carbono

Alexandre Gonçalves,

14 Julho 2011 | 20h17

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) está montando um laboratório para estudar o impacto das mudanças climáticas no bioma amazônico. O Centro de Estudos de Adaptações da Biota Aquática (Adapta) submeterá peixes, plantas e insetos da floresta a um ambiente rigorosamente controlado para simular as previsões para 2100 dos níveis de gás carbônico, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

O diretor do Inpa, Adalberto Luis Val, explicou o projeto durante uma palestra sobre mudanças climáticas e peixes de água doce na 63.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. “Deve começar a funcionar em 30 dias.”

Na experiência, serão analisadas 10 espécies de peixes (entre elas, 1 comercial: o tambaqui), 5 de plantas (4 aquáticas e 1 semiterrestre) e 3 insetos do ambiente amazônico (um deles pode vir a ser o Anopheles, transmissor da malária).

Hipótese

Os cientistas acreditam que os peixes já possuem genes que os ajudariam a suportar um ambiente com alta concentração de carbono. “Os peixes modernos que conhecemos hoje começaram a surgir no fim do Jurássico (cerca de 250 milhões de anos atrás)”, aponta Val. “Uma época com níveis de carbono ainda maiores que as nossas estimativas para o fim do século.”

Naquele período, a evolução já teria forçado o surgimento de adaptações para ambientes ricos em gás carbônico. Com mudanças ambientais posteriores, tais mudanças teriam permanecido adormecidas no genoma das espécies.Os cientistas querem descobrir se elas podem despertar na presença de uma maior disponibilidade de gás carbônico. “Vamos comparar a expressão dos genes das espécies submetidas a uma maior concentração de gás carbônico com a das espécies do ambiente”, explica Val.

O laboratório e os equipamentos custaram cerca de R$ 2,5 milhões. São quatro salas com cerca de 16 metros quadrados, totalmente controladas para evitar contaminação ou mudança no ambiente interno.

Val afirma que animais e plantas serão confinados por um ano no laboratório. Naturalmente, para algumas espécies – como os insetos –, serão várias gerações.

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