Daniel Beltrá / Greenpeace
Daniel Beltrá / Greenpeace

“Estamos com a água no pescoço”, diz diretora de documentário sobre consumo

Filme que teve alguns trechos revelados na Virada Sustentável mostra a urgência de se repensar padrões de produção e uso de recursos naturais

Juliana Tiraboschi, Especial para o Estado

25 Agosto 2017 | 12h31

No encerramento do primeiro dia da Virada Sustentável, o maior evento de sustentabilidade do Brasil, foram exibidos trechos do documentário Amanhã Chegou, do Canal Azul. O filme, ainda sem previsão de lançamento, aborda maneiras como o consumo reponsável pode frear a devastação de recursos naturais. 

“O consumo consciente é um ato político, e talvez uma das ferramentas para fazer a mudança que a gente quer na sociedade”, diz Renata Simões, diretora da produção. Um dos pontos mais importantes para exercer essa responsabilidade é a transparência de informações e buscar a origem dos produtos, ela diz. “É difícil nas nossas tarefas do dia a dia olhar rótulos, mas isso é importante, vai desde o mais básico, como ver se o produto foi testado em animais, até descobrir de onde ele veio.”

A diretora lembra que, com a disponibilidade de informações na internet, o consumidor pode pesquisar sobre empresas que usam trabalho escravo. O consumo consciente exige dedicação, ela diz. “Tem que fazer a lição de casa, isso te torna um agente atuante na cadeia, você tem muito mais propriedade e força na ação cotidiana”.

Dilemas. Amanhã Chegou também apresenta outros dilemas delicados: como lidar com uma camada da população de baixa renda, que quando sobe na escala social também deseja e tem o direito de comprar itens ligados a status, como carros e celulares de última geração? Como falar para essas pessoas que, agora que “chegou a vez” delas, eles não devem consumir tanto para preservar o planeta? “Não podemos falar que alguém não tem o direito de consumir, principalmente quando entendemos que o consumo tem um papel de significância social”, diz Renata.

Para a diretora, a distribuição de renda é um ponto fundamental nessa discussão. “Quando isso acontece, você tira um pouco do poder do objeto, você desmistifica aquele produto. Temos que mudar nossos padrões de pensamento e de compreensão da sociedade”.

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Outra questão que divide opiniões entre economistas é a questão da redução do consumo e como isso impactaria na economia. No evento, após a exibição dos trechos do documentário, a diretora apontou que o Brasil deve pensar e investir em necessidades básicas, como o saneamento. Essa medida, segundo a jornalista, traria benefícios à economia e a população de baixa renda que não tinha rede de esgoto teria uma leve ascensão econômica e, portanto, o consumo aumentaria. Para Renata, o maior desafio não é reduzir o consumo e investimento, mas pensar em como torná-los mais sustentáveis, mesmo com um eventual crescimento da economia. 

"Se o país investisse em saneamento básico, por exemplo, que é extremamente deficiente, criaria um boom econômico e uma ascensão da maioria dessa população de baixa renda, que poderia entrar no consumo, mas de uma forma mais sustentável”, conclui a diretora. 

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