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‘Esforço dos EUA é maior do que o da Europa’, diz Pershing

Afra Balazina e Andrei Netto - O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2009 | 13h 50

Para negociador americano, com base nas emissões de 2005, meta americana é a mais ambiciosa

É possível mostrar que os Estados Unidos farão um esforço maior de cortes de emissão do que a União Europeia, se forem usadas outras formas de comparar as ações, segundo o enviado especial para mudanças climáticas dos EUA, Jonathan Pershing.

 

A métrica usual da Convenção do Clima é calcular as reduções com base no que os países emitiam em 1990. Mas os Estados Unidos adotaram como base para sua meta o ano de 2005. Em entre vista exclusiva ao Estado, Pershing reclama da falta de simetria do rascunho para o novo acordo climático, apresentado na semana passada. Os EUA aceitam um acordo legalmente vinculante, mas desde que as obrigações dos países em desenvolvimento sejam também enquadradas dessa forma.

 

Como os Estados Unidos avaliam o rascunho do acordo proposto?

Ainda estamos estudando o documento. Há algumas seções em que podemos trabalhar e outras que não queremos trabalhar de forma nenhuma.

 

Então não é possível atingir um acordo com esse rascunho que está na mesa?

Bem, serão necessárias muitas mudanças, mas é possível trabalhar com uma boa parte dele. O documento tem aproximadamente 50 parágrafos, e a maioria deles diz que mais trabalho tem de ser feito. Dos 50, existem 10 ou 15 que não queremos usar, e os outros podemos usar como base.

 

O problema é o fato de ser legalmente vinculante para os países industrializados?

É uma combinação de coisas. Nós não fazemos objeção a um acordo que seja legalmente vinculante, mas fazemos objeção à falta de simetria. Não podemos dizer que o maior emissor do mundo não tem de fazer nada (China), e o segundo (Estados Unidos) tem de fazer algo. Isso não faz sentido.

 

Há quem diga que não será possível sair de Copenhague com um acordo legalmente vinculante. Que haveria um acordo político agora e, no próximo ano, um acordo jurídico. O que o senhor acha?

O primeiro-ministro da Dinamarca (Lars Rasmussen) indicou que fez contato com diversos chefes de Estado e que eles parecem sentir que não há tempo suficiente. Portanto, vão trabalhar na direção de um acordo político.

 

O rascunho propõe uma meta mínima para os países ricos de cortar 25% das emissões até 2020, em relação a 1990. Mas a meta dos EUA é de 17% em relação a 2005, ou 4% em relação a 1990. Os americanos subirão sua proposta?

Eu acho que, primeiramente, esse texto não reflete o que os países estão fazendo. A proposta que nós fizemos é olhar para um grande número de coisas, para múltiplos anos, não somente para 2020, mas também 2025, 2030, e verificar se há uma trajetória em direção ao sucesso. Também é preciso manter o equilíbrio entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento.

 

Então como comparar o esforço de um país com o de outro?

A forma que todos querem fazer é ver o que ocorreu em 1990. Bom, essa é uma medida interessante. Mas suponha que eu questione o que você emitiu em 2005. Se olharmos para esse ano, os Estados Unidos farão um corte de 17%, enquanto que os europeus reduzirão 12%. A União Europeia não aparece muito bem nesse caso. E supondo que eu tome como base as emissões per capta, a redução de emissões proposta pelos EUA é, novamente, quase 50% maior do que a da proposta europeia.

 

Como assim?

Nos EUA, a população ainda está crescendo e, na Europa, o número de habitantes é estável. Conforme crescemos, nossas emissões per capta proporcionalmente caem, enquanto que a deles não muda tanto.

 

Não se ouve falar nessa comparação per capta em Copenhague.

Realmente. E esse é o problema com a métrica, que é um pouco artificial. E há outra questão. Se eu gastar US$ 1 nos EUA e US$ 1 na União Europeia, o que eu consigo nos dois lugares? O custo deve ser o mesmo para ambos. Acontece que, para a mesma proporção do PIB, a UE deve assumir mais ações do que os EUA. Então, todas essas métricas nos dizem que o nosso número é tão forte ou mais forte do que o número deles. Mas eles querem usar como base o ano 1990. E talvez seja esse o caminho certo, mas nos parece engraçado adotar uma métrica que é boa para eles e que em todas as outras sugestões eles estão fazendo menos.

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