Encontro discute REDD e os direitos dos povos da floresta

Objetivo é recompensar esforços das populações tradicionais na manutenção dos recursos ambientais

Karina Ninni, Especial para O Estado

02 Março 2010 | 00h01

Até sexta-feira o GTA (Grupo de Trabalho Amazônico) promove a primeira consulta pública sobre Princípios e Critérios de REDD – Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. O evento é realizado em parceria com o Conselho Nacional de Populações Extrativistas (CNS) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB),  com o apoio técnico do Imaflora e IPAM (Instituto de Pesquisas da Amazônia).

A REDD é um mecanismo de remuneração pela manutenção das florestas em pé, que foi discutida na última Reunião do Clima da ONU, em Copenhague, em novembro passado.

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“Boa parte das populações tradicionais da Amazônia vive em florestas públicas e essas populações certamente não serão alvo das negociações internacionais sobre REDD, pois ali não se fala em meio ambiente, fala-se em economia”, explica o presidente da Rede GTA, Raimundo Gomes. “Só que, embaixo da floresta, tem muita gente.”

Na verdade, parte do movimento ambiental brasileiro é contra o mecanismo de REDD. Mas, para Gomes, a REDD já é uma realidade. “Você pode até ser contra, mas não pode se dar ao luxo de ficar de fora do processo e do debate”, acredita.

Para a diretora da CNS no Pará, Célia Regina das Neves, a REDD é uma oportunidade de reconhecimento dos esforços das populações tradicionais na manutenção dos recursos da floresta. “A nossa orientação sempre foi a de usar os recursos naturais sem destruí-los. Achamos, sim, que deve haver um reconhecimento oficial da dedicação das populações tradicionais a essa bandeira”, afirma.

O encontro que ocorre a partir de hoje em no Centro de Treinamento Maromba, em Manaus (AM), é o primeiro de uma série de três oficinas. As outras duas acontecerão em Porto Velho (RO), de 30 de março a 1° de abril, e em Belém (PA), de 14 a 16 de abril.

“A REDD pode significar um grande benefício se a gente conseguir gerar e estabelecer princípios para garantir os direitos dos povos da floresta. Se não fizermos isso, o mecanismo vai virar mais um instrumento de exclusão, de deslocamento das populações de seus locais de origem, com a transformação da floresta em commodity”, resume Gomes.

Você também pode enviar comentários e dar sua opinião. Baixe o formulário de consulta pública no link http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=346591, preencha-o e envie por e-mail para consultapublica@reddsocioambiental.org.br, ou por fax para (19) 3414 4015.

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