Dupla é multada por agressão a filhotes de tubarão em Noronha

Peixes com cerca 10 dias de vida tinham se aproximado da areia para se alimentar; homens tiraram animais da água

FÁBIO GUIBU, Especial para o Estado

07 Fevereiro 2014 | 16h02

RECIFE - O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, multou dois homens suspeitos de agredir filhotes de tubarões no arquipélago de Fernando de Noronha (a 540 km do Recife), em Pernambuco, Estado que registra o maior número de ataques desses animais a banhistas no Brasil.

Os filhotes, com cerca de dez dias de vida, segundo avaliação de especialistas, foram agarrados pela cauda e tirados fora da água ao se aproximarem da faixa de areia em busca de alimentos.

As cenas foram filmadas, postadas em redes sociais e posteriormente retiradas, após repercussão negativa. Os suspeitos, porém, foram reconhecidos e multados em R$ 5.000 cada. Um deles mora na ilha e o outro é parente dele. O Ministério Público Federal poderá ser acionado para apurar o caso.

Segundo o engenheiro de pesca e diretor do Museu dos Tubarões de Noronha, Leonardo Bertrand Veras, os filhotes molestados são da espécie limão, considerada não agressiva a humanos e que em idade adulta alcança mais de três metros.

"Não há relatos de ataques em Noronha, mas mesmo um filhote possui dentes afiados como navalhas, que podem causar ferimentos ao tentar se defender de atos como esse", disse o especialista.

Veras afirmou que a presença dessa espécie de tubarão na ilha é comum nesta época do ano, quando ocorrem os nascimentos. Por ainda possuir pouca mobilidade, informou, os filhotes com menos de duas semanas de vida se aproximam da faixa de areia em busca de alimentos que possam capturar com mais facilidade.

O tubarão limão não faz parte da lista de espécies que atacam banhistas no litoral pernambucano. Segundo especialistas, tubarões tigre e cabeça chata, considerados muito agressivos, são os responsáveis pelos 59 casos registrados oficialmente no Estado desde 1992, com 24 mortes.

O último registro envolveu a turista paulista Bruna Gobbi, 18 anos, atacada na praia de Boa Viagem, zona sul do Recife, em julho de 2013. A garota teve a perna amputada após ser mordida e morreu no hospital.

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