Divergência sobre Kyoto dificulta acordo da ONU para o clima

Conflitos entre os países ricos e as nações em desenvolvimento sobre o futuro do Protocolo de Kyoto ofuscaram os discussões da ONU sobre o clima no sábado, apesar de haver pequenos sinais de progresso em algumas questões.

ROBERT CAM, REUTERS

05 Dezembro 2010 | 15h14

"Eu peço para que procurem fazer concessões", disse a ministra de Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa, aos representantes dos 189 países que buscam um modesto pacote de medidas para desacelerar o aquecimento global.

Discussões sobre se Kyoto deveria ser estendido ofuscaram uma revisão do trabalho já na metade do processo que termina no dia 10 de dezembro. Caso aprovado, o acordo obrigaria quase 40 países em desenvolvimento a cortar suas emissões de gases de efeito estufa até 2012.

"Estender Kyoto "é de fato fundamental para um resultado bem-sucedido em Cancún", disse Abdulla Alsaidi, do Iêmen, que preside o grupo de nações em desenvolvimento nas negociações. As reuniões em Cancún visam combater o aquecimento global, buscando formas de prevenir contra inundações, secas, desertificação e aumento nos níveis do mar.

O representante da China, Su Wei, disse que uma extensão de Kyoto era um "elemento indispensável" para o acordo. Países como Bolívia, Venezuela e Estados-ilha menores também criticaram as nações ricas.

Países em desenvolvimento apontam que Kyoto impõe uma obrigação legal aos seus assinantes para estender o pacto. Mas as nações vinculadas ao protocolo, principalmente Japão, Canadá e Rússia, querem um tratado novo e mais amplo que também vincule as economias emergentes.

"Precisamos de um instrumento novo, juridicamente vinculante com a participação de todos os grandes emissores", disse Mitsuo Sakaba, do Japão. Uma autoridade da ONU disse que concessões teriam de ser feitas para se encontrar "as áreas cinzas entre os dois extremos."

NOVA ORDEM

Negociações sobre o clima são um teste para uma nova ordem mundial que está emergindo, onde o forte crescimento da China impulsionou o país a superar os EUA como maior emissor de gases de efeito estufa e ultrapassar o Japão como segunda maior economia mundial. Muitos países desenvolvidos estão enfrentando cortes orçamentários e altos índices de desemprego.

Os Estados Unidos nunca ratificaram Kyoto, dizendo que prejudicaria os empregos nos EUA e que os países em desenvolvimento foram erroneamente omitidos do protocolo. Essa postura também é central na resistência dos países vinculados ao Protocolo de Kyoto para estender o acordo unilateralmente sem garantias da participação de Washington.

Ainda assim, alguns sinais de progresso pareciam aproximar as diferenças. Países discutiram o compartilhamento de tecnologias verdes pelo mundo, segundo alguns representantes.

As negociações também estão buscando um acordo para gerar um fundo para transferir assistência aos países pobres e desenvolver formas de proteger as florestas tropicais.

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