Diretora de agência quer prazo flexível para tratado climático

O prazo para um novo acordo climático global deve ser prorrogado caso os Estados Unidos não estejam preparados para assumir até dezembro acordos relativos a reduções nas suas emissões de gases do efeito estufa, disse na segunda-feira a chefe de uma importante agência de financiamento ambiental.

MEGAN ROWLING, REUTERS

23 Março 2009 | 19h36

Mais de 190 governos decidiram em 2007 concluir até o final de 2009, num encontro em Copenhague, o novo tratado climático global que vai vigorar a partir de 2013, quando expira o atual Protocolo de Kyoto.

Monique Barbut, executiva-chefe do chamado Instrumento Ambiental Global, disse à Reuters que o governo norte-americano quer combater o aquecimento global, mas talvez não tenha tempo hábil para aprovar uma lei relativa a créditos de carbono, o que seria um pré-requisito para a assinatura do tratado em dezembro.

"Realmente acho que o que é muito importante não é tanto o que faremos em Copenhague, o que é importante é que obtenhamos compromissos realmente bons", disse ela em entrevista durante um evento sobre o financiamento para o combate à mudança climática.

"Então se forem necessários mais seis meses para que os EUA estejam totalmente prontos, acho que é muito mais importante esperarmos esses poucos meses do que assumirmos compromissos que irão irritar muita gente."

O governo de Bill Clinton assinou em 1997 o Protocolo de Kyoto, mas jamais tentou ratificá-lo no Senado, dominado pela oposição. Em 2001, logo depois de assumir o governo, George W. Bush "desassinou" o tratado.

Em dezembro, o senador governista John Kerry previu que o Senado permitirá que o presidente Barack Obama assine o novo pacto global no final de 2009, mesmo que as leis climáticas norte-americanas ainda não estejam em vigor.

Barbut lembrou que ainda há outros obstáculos para um acordo em Copenhague, como a relutância da União Europeia em prometer bilhões de dólares em verbas para os países pobres até que o bloco saiba o que outras nações estão dispostas a oferecer.

"Honestamente não vejo os países europeus concordando hoje com aumentar enormemente seu nível de solidariedade internacional para enfrentar a mudança climática, a não ser que eles recebam algo em troca", disse a executiva no evento organizado pelo Instituto do Desenvolvimento no Exterior.

O comissário (ministro) europeu do Meio Ambiente, Stavros Dimas, disse na sexta-feira que o bloco só tomará novas iniciativas depois que outros países ricos apresentarem suas metas para a redução de emissões.

(Reportagem de Megan Rowling)

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