Diminuição de ozono e metano colabora com combate a aquecimento global

Estudo divulgado pelo Pnuma da Alemanha diz que controle de ingredientes da fuligem e da fumaça retarda mudanças climáticas

AP

14 Junho 2011 | 11h31

A luta para conter as mudanças climáticas se concentra normalmente em reduzir o dióxido de carbono. Mas o carbono negro e o ozônio, os principais ingredientes da fuligem e da fumaça, também contribuem para o aquecimento global, e controlá-las vai agir rapidamente para retardar a elevação das temperaturas, disse uma agência da ONU nesta terça-feira.

O carbono negro vem de partículas sólidas dos escapamentos, incêndios florestais, ou fogão a lenha, e fornos de tijolos comumente encontrados em países pobres. É mais danoso quando se estabelece sobre a neve do Ártico ou geleiras das montanhas, fazendo com que blocos de gelo derretam mais rapidamente. O ozônio é benéfico como manta de alta altitude ao redor da Terra, mas entre 10 a 15 km acima da superfície age como um poderoso gás de efeito estufa e contribui para a poluição urbana.

 

Um estudo divulgado nesta terça-feira em negociações do clima da ONU em Bonn, na Alemanha, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização Meteorológica Mundial disse que grandes cortes carbono negro e no metano formador de ozônio não só retardaria o aquecimento global, mas conteria doenças respiratórias e danos às colheitas.

 

O dióxido de carbono, obtido principalmente pela queima de combustíveis fósseis pela indústria pesada e pelos meios de transporte, fica acumulado durante séculos na atmosfera e tem um impacto a longo prazo sobre o aquecimento global.

 

Reduzir carbono negro, metano e ozônio tem um mais imediato efeito, afirmou o relatório. "Nós não encontramos uma bala de prata", disse o chefe do Pnuma, o cientista José Alcamo. "O que nós encontramos é uma estratégia muito poderosa para complementar a necessária redução de gás carbônico."

 

Johan Kuylenstierna, do Stockholm Environment Institute, que chefiou a prdoução do relatório, disse que  tomar medidas para a redução do carbono negro e de ozônio próximo ao solo nos próximos 20 anos diminuiria, "de modo significante", o aquecimento global - com uma diferença de 0,5 graus em meados do século.

 

A redução também evitaria 2,5 milhões de mortes prematuras por ano devido à poluição do ar e aumentaria a produção agrícola em 50 milhões de toneladas por ano, disse ele. O relatório lista 16 ações que devem ser tomadas, entre elas o uso de filtros em motores a díesel que reduziriam o carbono, a retirada de veículos velhos de circulação e a substituição de fogões a lenha e fornos de tijolos por outros movidos a combustíveis de biomassa.

 

As emissões podem também ser cortadas ao recuperar vazamentos de poços de ventilação nas minas de carvão e ao separar e tratar lixo biodegradável de resíduos urbanos. E também com a alteração da dieta do gado, emissor de metano.

 

A adoção de tais medidas rapidamente aumentaria as perspectivas de limitar o aumento da temperatura global a 2 graus acima dos níveis pré-industriais, objetivo fixado pelos negociadores internacionais.

Um resultado benéfico seria a redução do aquecimento projetado do Ártico ao longo dos próximos 30 anos em cerca de dois terços.

 

"Não se trata de medidas que temos que inventar. Elas já existem", disse Kuylenstierna, em Bonn. Mas elas devem ser implementadas em todo o globo."

 

A resposta de longo prazo para as alterações climáticas continua a ser uma forte redução de

dióxido de carbono, o gás de estufa mais comum e duradouro, disse ele.

 

Os cientistas alertam que um aumento da temperatura média global de mais de 2 graus aumenta o risco de mudanças climáticas catastróficas afetando a agricultura, nível do mar e para a sobrevivência das espécies.

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