Vinicius Mendonça/Ibama
Vinicius Mendonça/Ibama

Desmatamento cai 28% em florestas protegidas da Amazônia

Redução de cobertura foi de 159 km², com maior registro em Tapajós e em Jamanxim; ministro destacará nº na COP

André Borges, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 06h00

BRASÍLIA - Dados do Projeto de Desmatamento e Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), obtidos com exclusividade pelo Estado, revelam que, entre agosto de 2016 e julho deste ano, houve uma queda de 28% no desmatamento de florestas protegidas, administradas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). 

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O desmatamento no período foi de 159 km², segundo menor já registrado pela série histórica, iniciada há 20 anos. Até então, a menor área desmatada havia sido registrada entre 2010 e 2011, quando chegou a 137 km². Os dados devem ser apresentados pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, na conferência sobre mudança climática das Nações Unidas (ONU), em Bonn, na Alemanha.

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A queda do desmatamento, porém, não foi acompanhada no mesmo ritmo, se considerada toda a Amazônia, independentemente de ser ou não classificada como unidade de conservação. Os dados revelam que o desmate na Amazônia Legal caiu 16%, saindo de 7.893 km² registrados entre agosto de 2015 e julho do ano passado para 6.624 km² nos 12 meses encerrados em julho deste ano. Hoje o desmatamento em unidades de conservação federais representa 2,4% do total.

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O levantamento mostra aumento de focos de garimpo ilegal nas áreas protegidas. Neste ano, foram registradas, até setembro, 949 áreas de mineração, somando 45,8 km² com atividades. Em todo o ano de 2016 o mapeamento apontava 382 áreas, somando 29,3 km².

A divisa entre Rondônia e Amazonas continua a ser um dos principais focos de pressão do desmatamento ilegal, percorrendo a região que avança por Humaitá (AM) - onde as sedes do Ibama e do ICMBio foram incendiadas por garimpeiros em outubro - e seguindo pelas reservas próximas do traçado da BR-163, que corta o Pará e chega à região de Itaituba, outro ponto de ação garimpeira ilegal e alvo de fiscalizações. 

Não por acaso, essa região do Pará foi a que mais sofreu com o desmate de unidades de conservação, com derrubadas drásticas verificadas na área de preservação permanente do Tapajós (32,3 km²), Floresta Nacional do Jamanxim (25,1 km²) - cuja redução de limites é alvo de um projeto no Congresso -, Reserva Extrativista Chico Mendes (18,8 km²) e Estação Ecológica da Terra do Meio (11,5 km²). Juntas, essas quatro unidades sofreram 55% do total de desmatamento mapeado. 

Em 2017, já houve 165 operações de fiscalização pelo ICMBio. O levantamento registra como desmatamento áreas superiores a 6,25 hectares que tenham sofrido corte raso - a remoção completa da cobertura florestal. Esses dados incluem todos os tipos de desmate, até aquele permitido em algumas unidades, como reservas extrativistas.

Polêmica. A gestão Michel Temer foi alvo de críticas na área ambiental neste ano, depois de propor redução de áreas de conservação - como a de Jamanxim, no Pará - e também a extinção de uma reserva mineral na Amazônia. 

 

Emissão global de gás carbônico deve subir 2% neste ano

Após três anos de estabilidade, as emissões globais de dióxido de carbono - ou gás carbônico - devem voltar a subir em 2017. A expectativa é de que o ano feche com alta de 2% das emissões oriundas de queima de combustíveis fósseis e da indústria em relação a 2016. O dado faz parte de levantamento anual feito pelo Global Carbon Project e foi divulgado nesta segunda-feira, 14, na Conferência do Clima das Nações Unidas, em Bonn (Alemanha).

O número é uma má notícia para a segunda semana de negociações porque se imaginava que o mundo já tivesse alcançado o pico de emissões. A indicação vinha dos três últimos anos, em que a taxa de emissões se manteve relativamente estável mesmo com crescimento econômico global. Mas agora a alta esperada é de 2% - novo recorde. /GIOVANA GIRARDI, ENVIADA ESPECIAL A BONN

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