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Degradação florestal na Amazônia foi reduzida nos últimos 3 anos

Fábio de Castro - O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 15h 46

Segundo Inpe, entre 2011 e 2013, áreas que ainda não foram totalmente desmatadas caíram de 24,6 mil km² para 5,4 mil km²

Atualizado às 23:01

SÃO PAULO - A taxa de degradação florestal na Amazônia Legal caiu por dois anos consecutivos, de acordo com levantamento divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área em degradação passou de 24.650 quilômetros quadrados (km2), em 2011, para 8.634 km2 em 2012 e 5.434 km2 em 2013. Área degradada ainda não é considerada área totalmente desmatada.

O levantamento foi feito pelo projeto Degrad, sistema do Inpe que mapeia áreas que estão expostas à degradação florestal progressiva - pela exploração predatória de madeira, com ou sem uso de fogo -, mas que ainda não foram completamente desmatadas. O sistema analisa as mesmas imagens de satélite utilizadas pelo projeto Prodes, também do Inpe, que monitora o corte raso da floresta.

Embora tenha sido lançado em 2007, o projeto Degrad não havia divulgado até agora os números de 2011 a 2013. O total de áreas degradadas em 2013 é o mais baixo desde o início da série. Os número positivos, no entanto, devem ser encarados com cautela, de acordo com Dalton Valeriano, coordenador do Programa Amazônia do Inpe. "Tivemos dois anos seguidos excepcionalmente úmidos. Por isso, não podemos afirmar que os baixos índices de degradação em 2013 sejam necessariamente efeito de um controle das queimadas", afirmou. 

A análise feita pelo Inpe sobre os números do Degrad mostrou que a ocorrência de fogo na região amazônica influencia diretamente os níveis de degradação. "Ainda é preciso aumentar a série histórica para tirarmos conclusões mais consistentes, mas a degradação florestal apresenta uma clara correlação com a quantidade de queimadas detectadas a cada ano, entre 2007 e 2013", disse Valeriano.

Prevenção. Os dados do Degrad serão fundamentais para a prevenção e combate ao desmatamento, de acordo com Francisco Oliveira Filho, diretor do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente. Segundo ele, os dados permitem intervenções em áreas cuja cobertura florestal ainda não foi completamente suprimida e convertida em outros usos como pastagem e culturas agrícolas. "Identificar as áreas nas quais se concentra a degradação florestal nos ajuda a posicionar as equipes de fiscalização e a traçar uma estratégia de combate ao desmatamento ao longo do ano", afirmou.

O Inpe também mostra baixa taxa de conversão da degradação florestal para o corte raso no período de 2007 a 2013. "De 2012 para 2013, só 4% das áreas degradadas se converteram de fato em desmatamento", disse.

Para Valeriano, no entanto, números ainda são números altos. "As porcentagens são modestas, mas é preciso lembrar que estamos falando de áreas com milhares de quilômetros quadrados." A área de florestas degradadas já chegou a ser mais do que o dobro das áreas de corte raso, em 2008. Em 2013, os índices se equipararam: 5.400 e 5.800 km2, respectivamente. Mato Grosso foi o Estado com maior área degradada em 2013: 2.121 km2 .