Herton Escobar/Estadão
Herton Escobar/Estadão

Degradação deixa floresta fragilizada e vulnerável ao fogo

Retirada de árvores abre buracos na copa que ressecam a vegetação; exploração ilegal cresceu 151% no Pará em 2012

Herton Escobar - Enviado especial/Gurupá (PA), O Estado de S. Paulo

23 Novembro 2013 | 18h23

A exploração ilegal de madeira é um problema crônico no Pará, Estado recordista em conflitos e derrubadas florestais, e parece estar em recrudescimento, a exemplo do desmatamento, que voltou a crescer em 2013. Segundo o levantamento mais recente da ONG Imazon, 78% da exploração madeireira no Pará é ilegal, e houve um aumento de 151% na área afetada por essa atividade em 2012, em comparação com o ano anterior.

Segundo o pesquisador Beto Veríssimo, o volume de madeira produzido no Estado caiu pela metade nos últimos 15 anos, de 28 milhões de metros cúbicos/ano para algo em torno de 13 milhões. "O problema é que isso ainda é um número muito alto, e tem muita atividade ilegal envolvida nisso", diz.

Diferentemente do desmatamento, que envolve a remoção completa da floresta e pode ser detectado do espaço com relativa facilidade, a exploração ilegal de madeira deixa cicatrizes relativamente pequenas na floresta, difíceis de serem detectadas em imagens de satélite. O impacto ambiental que causa no ecossistema florestal, porém, é imenso. "Quando você anda na mata fica claro que a floresta está muito machucada", relata Veríssimo.

Os buracos abertos no dossel permitem a penetração de luz e o vazamento de umidade do interior da floresta, deixando-a mais seca, mais "rala" e mais vulnerável ao fogo – e à ação do homem. "Áreas com exploração madeireira são fortes candidatas a serem desmatadas no futuro", afirma Veríssimo.

O que fica para trás é uma floresta degradada, que pega fogo com frequência e leva anos para se recompor, segundo o pesquisador Dalton Valeriano, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, responsável pelo monitoramento da Amazônia.

Estimativas. A área total de floresta degradada na Amazônia, segundo Valeriano, pode ser duas vezes maior do que a desmatada. O Inpe só passou a produzir estatísticas anuais de degradação em 2007, por meio de um programa chamado Degrad. Os dados mostram que a taxa anual de degradação caiu de 2007 para 2010, a exemplo do desmatamento, só que com áreas degradadas sempre maiores do que as desmatadas.

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