Conferência do clima chega ao último dia sem acordo

A conferência termina hoje, e, até o momento, um acordo climático parecia uma meta difícil de ser alcançada

estadão.com.br,

10 Dezembro 2010 | 11h25

Negociadores de vários países estenderam as discussões pela madrugada na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-16), em Cancún, no México, para tentar fechar um pacote de acordos a fim de reduzir o ritmo do aquecimento global. A conferência termina hoje, e, até o momento, um acordo climático parecia uma meta difícil de ser alcançada.

 

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Os diplomatas trabalhavam em uma série de temas, entre elas a possível ampliação do Protocolo de Kyoto para além de 2012 ou a possibilidade de um novo acordo; o uso de um método comum para mensurar, reportar e verificar as reduções de emissões; e a confirmação dos compromissos dos países ricos, feitos em Copenhague há um ano, de destinar bilhões de dólares para o combate às mudanças climáticas nas nações pobres.

 

 

O Japão advertiu que não participará da ampliação do Protocolo de Kyoto, a menos que grandes emissores de gases causadores do efeito estufa, como Estados Unidos e China, também assinem o documento com compromissos iguais aos dos outros países. Os EUA firmaram, mas não ratificaram o Protocolo de Kyoto. A China firmou o tratado, mas por ser uma nação em desenvolvimento tem metas apenas voluntárias na redução de emissões. A China e outras nações em desenvolvimento criticaram a posição japonesa, enquanto Washington busca encorajar um novo acordo baseado nos compromissos fechados anteriormente em Copenhague.

 

Apesar disso, o ministro mexicano do Meio Ambiente, Juan Rafael Elvira Quesada, afirmou que a conferencia este pronta para começar seus primeiros acordos. Em declarações à imprensa ele destacou que apesar dos "inconvenientes" - referindo-se às diferenças surgidas durante as negociações - "há partes positivas e temas que os delegados querem votar."

 

O vice-diretor-geral japonês para Assuntos Globais, Akira Yamada, disse no fim da quinta-feira que as conversas iam bem. "Nós pensamos que é possível chegar a um acordo", afirmou.

 

 

Representantes de Brasil e Venezuela também se mostraram otimistas sobre a possibilidade de um acordo, apesar de preferirem a extensão do Protocolo de Kyoto. "Nós estamos nos envolvendo bastante com as outras partes e isso é um bom sinal", disse o enviado brasileiro para o clima, Luiz Alberto Figueiredo Machado. "As partes estão negociando os temas mais difíceis, eu estou otimista de que possamos chegar a um bom resultado."

 

 

A enviada venezuelana, Claudia Salerno, também se mostrou otimista quanto à possibilidade de haver algum acordo, apesar de notar que há muitas questões a resolver. "Apesar das diferenças, a prontidão dos países a alcançar um acordo é grande", afirmou ela.

 

A ONU pediu nesta sexta-feira que os países participantes da conferencia deixem de lado as "posições nacionais", conhecidas e preestabelecidas, para que consigam encontrar pontos comuns de acordo na luta contra o aquecimento global. "Cancún precisa que todos os países deixem de lado suas posições nacionais e, sem comprometer seus interesses de longo prazo, procurem as áreas onde podem haver acordos", disse Christiana Figueres, secretária executiva de mudança climática da ONU.

 

O pacote de decisões - que deve ser chamado de Resultado ou Acordo de Cancún - deve incluir decisões nas seguintes áreas: mitigação (corte de emissões de gases-estufa), adaptação às mudanças climáticas (preparação dos países para as alterações inevitáveis que ocorrerão no mundo), financiamento (para permitir que países em desenvolvimento cortem as emissões e se adaptem), transferência de tecnologia e o Protocolo de Kyoto. Dentro disso, está também o mecanismo de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd), que interessa bastante ao Brasil.

 

Meta pioneira

 

Para mostrar ação, o Brasil anunciou em plenária na quinta-feira, 9, a assinatura do decreto que regulamenta a Política Nacional de Mudanças Climáticas, fixando meta de 36% a 39% de corte de emissões até 2020, comparado ao emitido se nada fosse feito.

 

A regulamentação, que ocorre cerca de um ano depois do anúncio de que o País teria metas, mostra como o Brasil fará setorialmente para reduzir a poluição. O detalhamento era cobrado por ONGs e pela senadora Marina Silva (PV-AC).

 

(Com informações de Dow Jones, Efe e Afra Balazina, enviada especial a Cancún)

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