Osama Faisal/AP
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Conferência do Clima buscará ajuda a países pobres

Convencer ricos a abrir o cofre e negociar novas metas de redução de emissões são desafios da reunião da ONU em Doha

AP

26 Novembro 2012 | 02h04

DOHA - Um dos maiores desafios da nova conferência sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), que começa hoje em Doha, com a participação de quase 200 nações, é aumentar a ajuda a países pobres num momento em que o orçamento dos países mais desenvolvidos anda apertado por causa da crise econômica mundial, especialmente na Europa.

Países ricos já entregaram cerca de US$ 30 bilhões em ajuda financeira com a qual haviam se comprometido em 2009, mas esses acordos expiram neste ano. Além disso, o Fundo Verde Climático, criado na conferência do ano passado com o objetivo de arrecadar até US$ 100 bilhões de ajuda por ano, ainda não entrou em operação.

O resultado é que os países mais pobres, que são os que mais têm a perder com as mudanças climáticas, estão diante de um "abismo climático fiscal", nas palavras de Tim Gore, da organização Oxfam. "Precisamos nas próximas duas semanas de compromissos fortes por parte dos países ricos de continuar a ajudar financeiramente os países pobres a lidar com as mudanças climáticas", diz.

A criação de mecanismos financeiros foi um dos poucos sucessos tangíveis das negociações climáticas até agora, já que o objetivo principal - de reduzir a emissão global de gases do efeito estufa - continua muito longe de ser alcançado. As emissões continuam a subir e o único acordo internacional para reduzi-las, o Protocolo de Kyoto, termina também neste ano. Chegar a um acordo para prorrogá-lo é o outro grande desafio da conferência em Doha.

Falta de força

Um desafio que dificilmente será conquistado. Apenas a União Europeia (UE) e mais alguns países estão dispostos a prorrogar Kyoto, o que implicaria em novas metas e prazos de redução de emissões. Artur Runge-Metzger, o negociador chefe da UE, reconhece que um grupo tão pequeno dificilmente terá peso político suficiente para forçar um acordo. "Acho que representamos, no máximo, 14% das emissões globais", disse.

Os Estados Unidos sempre rejeitaram Kyoto, pelo fato de o acordo não incluir metas para grandes países emergentes, que também emitem muito. A China já passou os EUA nos últimos anos e agora é o país que mais emite gases do efeito estufa.

Conforme acordado na conferência de 2011, em Durban, na África do Sul, começará a ser negociado agora um outro acordo climático, incluindo a China e outros países emergentes (como Índia e Brasil), previsto para ser adotado em 2015 e começar a funcionar em 2020.

Na parte financeira, Runge-Metzger disse que a UE quer continuar a ajudar os países pobres, apesar da crise. Mas disse que esses países não podem esperar um "cheque em branco" dos ricos e por isso precisam apresentar "projetos bancáveis" se quiserem receber dinheiro.

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