Antonio Scorza/AFP
Antonio Scorza/AFP

Compromissos voluntários passam de 700

Serão investidos US$ 513 bilhões em áreas de transporte, energia limpa, e redução de desastres

Giovana Girardi, enviada especial

22 Junho 2012 | 22h47

RIO - Se o resultado oficial da Rio+20 foi pouco ambicioso, o evento ao menos foi importante para o estabelecimento de compromissos voluntários em torno do desenvolvimento sustentável. No total, foram contabilizados 705 compromissos. Somente nos 13 maiores, serão investidos US$ 513 bilhões, para os próximos 10 ou 15 anos, em ações principalmente nas áreas de transporte e energia limpa, redução de desastres e proteção ambiental.

 

A cerimônia de anúncio, feita pelo secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang juntamente com representantes de algumas das principais iniciativas, deixou transparecer o tom de desabafo de que coube à sociedade civil e aos governos locais trazerem algum grau de força para a Rio+20.

 

"O planeta não é grande o bastante para falhar. Quem falhou foram os governos. Não as empresas, não as ONGs", desabafou José Maria Figueres, presidente da Carbon War Room, diante de um Sha Zukang que arregalou os olhos e abriu a boca em cara de divertido espanto.

 

O anúncio do montante de compromissos foi ainda agitado por um casal de manifestantes que, de repente, enquanto Figueres falava, foi ao centro da sala, pegou uma pétala das orquídeas que enfeitavam a bancada e tentaram passar uma mensagem.

 

"Vocês não nos representam. Queremos uma democracia real. Queremos um novo tempo de imaginação e de poesia", foi tudo o que conseguiram gritar antes de serem imediatamente arrastados para fora pelos seguranças da ONU. "Se eles estivessem esperado teriam direito à fala", riu Brice Lalonde, coordenador executivo da Rio+20, que mediava a apresentação.

 

Transporte. A maior fatia desses investimentos virá dos oito maiores bancos de desenvolvimento do mundo. Eles anunciaram o compromisso de investir US$ 175 bilhões para financiar sistemas sustentáveis de transporte, que podem ser desde meios de transporte público, até ciclovias, bicicletas e uma melhor infraestrutura para pedestres. A iniciativa visa ajudar a minimizar congestionamentos, poluição, acidentes e as emissões de gases de efeito estufa.

 

Bindu N. Lohani, do Asian Development Bank, disse também que parte do investimento deve ser focado em BRT (trânsito rápido de ônibus) principalmente em Mongólia, Bangladesh e China para atender de 100 mil a 1 milhão de pessoas.

 

Outro fatia significativa é a do programa "Energia Sustentável para Todos", proposta pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, com US$ 50 bilhões. O Japão vai investir US$ 6 bilhões em programas sobre economia verde e redução de desastres, e a Alemanha se comprometeu a ajudar em ações sobre acesso a energia com US$ 3,3 bilhões.

 

No total, foram envolvidas 500 empresas, indústrias, universidades, entre outros – nos eventos oficiais e paralelos realizados antes e durante a Conferência da ONU no Rio de Janeiro. 50 acordos envolvem governos, 72 entre o Sistema ONU e ONGs, 226 entre empresas e a indústria, 243 entre universidades e escolas de todo mundo.  

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