Timothy A. Clary/AFP
Timothy A. Clary/AFP

Compromisso com o desenvolvimento sustentável é de primeira hora, diz Temer

Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, presidente afirmou que desmatamento na Amazônia diminuiu 20% no último ano

Ricardo Leopoldo, Correspondente da Agência Estado nos EUA

19 Setembro 2017 | 11h17
Atualizado 19 Setembro 2017 | 15h52

NOVA YORK - O presidente Michel Temer (PMDB) afirmou em seu discurso nesta terça-feira, 19, na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que o compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável "é de primeira hora". "Permeia nossas políticas públicas e nossa atuação externa", afirmou. Temer disse ainda que o desmatamento na Amazônia preocupa, mas está sendo combatido e já mostra resultados.

O presidente ressaltou que, em todas as frentes, o Brasil procura dar sua contribuição para os "Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", que inclui o combate às mudanças climáticas.

"Seguiremos empenhados na defesa do Acordo de Paris. No ano passado, aqui mesmo em Nova York, depositei o instrumento de ratificação do Acordo pelo Brasil", lembrou. "Essa é matéria que não comporta adiamentos."

Ainda no discurso, o presidente ressaltou que o Brasil está na "vanguarda do movimento em direção a uma economia de baixo carbono" e destacou que a energia limpa e renovável representa mais de 40% da matriz energética brasileira. Esse porcentual é três vezes a média mundial. "Somos líderes em energia hídrica e em bioenergia", disse ele.

Ao falar do tema, Temer ressaltou que o Brasil "orgulha-se de ter a maior cobertura de florestas tropicais do planeta" e mostrou preocupação com o desmatamento.

"É questão que nos preocupa, especialmente na Amazônia", afirmou ele, destacando que o governo tem "concentrado atenção e recursos" para combater o desmatamento e que a estratégia já deu resultados. "Pois trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho, e nesse caminho persistiremos."

Procurado pela reportagem, o Ministério do Meio Ambiente disse que desconhece o dado e que o valor oficial do desmatamento registrado entre agosto do ano passado e julho desse ano deve ser divulgado em outubro. A taxa é fornecida pelo sistema de monitoramento por satélite Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).  

Temer pode ter se baseado em um levantamento paralelo, não oficial, feito pela ONG Imazon, que estimou uma redução de 21% no desmatamento deste ano, em relação ao período anterior.  As informações do Imazon, porém, já foram descartadas pelo governo em outras ocasiões no passado quando o o monitoramento indicava alta da perda florestal.

Outra possibilidade é que a Presidência tenha feito uma estimativa com base nos dados de outro sistema de monitoramento do Inpe, o Deter, que fornece alertas em tempo real de onde podem estar ocorrendo desmates de modo a orientar a fiscalização em campo. O Deter indicou uma redução de 16% nos alertas no período de agosto de 16 a julho de 17, na comparação com o período anterior. De fato o monitoramento é útil para apontar uma tendência. Em geral, se ele aponta alta, o Prodes também vai trazer alta e vice-versa, mas ainda assim não é o dado oficial do desmatamento da Amazônia.

No ano anterior (agosto de 2015 a julho de 2016), o Prodes havia registrado um aumento do desmatamento da ordem de 27%, chegando a 7.893 km².

Comércio 

Após falar de questões climáticas e desmatamento, Temer ressaltou que outro importante vetor do desenvolvimento para o Brasil é o comércio. "Nosso engajamento é por um sistema de comércio internacional aberto e baseado em regras. Um sistema que tem por centro a OMC (Organização Mundial do Comércio) e seu mecanismo de solução de controvérsias."

Temer disse em seu discurso que na Conferência Ministerial de Buenos Aires, em dezembro, o Brasil terá que enfrentar pendências antigas. "São pendências que prejudicam, sobretudo, países em desenvolvimento." (Colaborou Giovana Girardi)

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