Comitiva mexicana diz que meta proposta pelos EUA é ‘modesta’

Obama defende redução de 17% nas emissões de gases estufa até 2020, em comparação com níveis de 2005

AP

01 Dezembro 2010 | 20h17

A nação anfitriã da conferência das Nações Unidas sobre o clima, o México, qualificou nesta quarta-feira como "modesto" o compromisso doa EUA para reduzir as emissões de gases estufa. Entretanto, os representantes mexicanos elogiam as propostas não-vinculativas formuladas por Índia e China.

 

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O presidente americano Barack Obama prometeu reduzir as emissões dos Estados Unidos em 17% para 2020, em comparação com os níveis de 2005.

 

Luis Alfonso de Alba, diplomata mexicano enviado a Cancún, disse que este nível de ambição, "que eu considero todavia modesto", provavelmente não será melhorado depois da vitória republicana na Câmara dos Deputados americana.

 

"Creio que, como todos vocês sabem, o presidente Obama tem a disposição de progredir nesta questão, mas as condições internas não estão necessariamente favoráveis, particularmente devido às eleições legislativas", comentou Alba.

 

Muitos republicanos rechaçam as evidências científicas do aquecimento global e, nos últimos dois anos, combateram a legislação energética patrocinada pelos democratas.

 

Os EUA insistem que só aceitarão limites obrigatórios para a redução de emissões se o mesmo for aplicado para a China. O país asiático, que é atualmente o maior emissor do mundo, porém o maior financiador em energias renováveis, rejeita a condição, alegando que ainda precisa combater a pobreza generalizada e não tem responsabilidade histórica pelo problema.

 

Entretanto, a China prometeu conter o crescimento das suas emissões, com aumento no índice de redução de carbono de 40% a 45% para 2020 com base nos dados de 2005. A Índia, outra grande economia emergente, ofereceu um aumento de 20 para 25%. "China e Índia apresentaram metas ambiciosas", elogiou Alba.

 

Na COP-16 de Cancún, os negociadores esperam formalizar os compromissos voluntários de emissões formulados no ano passado no Acordo de Copenhague, documento não-obrigatório que não foi adotado formalmente na COP sediada na capital dinamarquesa.

 

As disputas, porém, seguem impedindo um acordo climático mundial obrigatório. Na melhor das hipóteses, crê-se que os delegados possam concordar em um punhado de decisõs secundárias.

 

Em seu último informe detalhado, divulgado em 2007, o Painel Intergovernamental sobre Câmbio Climático (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas recomendou que as emissões globais de gases estufa fossem reduzidas de 25% a 40% para 2020, em comparação com os níveis de 1990, com a finalidade de impedir que a temperatura global suba mais do que 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

 

O diretor do IPCC, Rajendra Pachauri, disse na terça-feira que os governos mundiais precisam gastar mais em investigações avançadas para determinar quanto e quão rapidamente o planeta vai ficar mais quente nas próximas décadas.

 

"Existem grandes brechas no esforço de investigação científica", disse Pachauri, que coloca em questão as preocupações relacionadas ao derretimento das geleiras eternas do Ártico, que pode liberar poderosos gases com efeito de aquecimento, por exemplo.

 

"O que se faz hoje, certamente, está longe de ser adequado", defendeu.

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