Comissão Internacional da Baleia discute proposta contra o suborno

Proposta britânica busca evitar repetição de suposta compra de votos pelo Japão

Planeta

11 Julho 2011 | 18h05

Uma proposta britânica para combater a compra de votos estava entre os principais itens na agenda da Comissão Internacional da Baleia (CIB) nesta segunda-feira, relatou o Washington Post. Pela proposta, os países-membros deveriam pagar suas contribuições à organização por meio de transferências bancárias. Rumores dão conta de que o Japão teria usado dinheiro vivo em reuniões passadas para comprar o apoio de alguns países. O país nega as acusações.

 

O Japão, a Noruega e a Islândia são a favor de pôr fim à moratória internacional, instituída em 1986, que proíbe a caça de baleias, salvo para fins científicos ou por populações tradicionais (como os esquimós). Mesmo assim, cerca de 1.500 baleias são mortas a cada ano, e a maior parte da carne e dos produtos vai parar em restaurantes japoneses em vez de laboratórios, relata o Post.

Como baleeiros japoneses caçam regularmente em águas ao sul da Austrália, Canberra está processando o Japão na Corte Internacional de Justiça, o mais alto órgão jurídico da ONU.

"Clima tranquilo"

O correspondente da BBC Richard Black relata que o clima no encontro da CIB, que começou nesta segunda-feira na ilha de Jersey (Reino Unido) e termina na quinta-feira, 14, é “muito tranquilo”. Além das tensas conversas em anos anteriores não terem resultado em um acordo, pesa o fato de que o Japão ainda se recupera do catastrófico tsunami de 11 de março.

 

Os países, porém, continuam divididos em dois grupos: a minoria que considera as baleias como criaturas selvagens como quaisquer outras, e a maioria, que as enxerga como criaturas especiais que não devem ser feridas em nenhuma hipótese. Organizações como a WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal), participante da reunião, consideram que as baleias são seres sencientes, termo usado por defensores de animais segundo o qual os bichos querem evitar o sofrimento e, portanto, devem ser protegidos.

Qualquer votação da CIB exige maioria de três quartos. A organização tem hoje 89 membros, incluindo países sem acesso ao mar, como Suíça e Mongólia.

Outra preocupação, também levantada pela delegação do Reino Unido, é de que a exploração de gás e petróleo ao redor da ilha Sakhalin, na Rússia, leve as baleias locais à extinção.

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