Divulgação/Movimento Boa Praça
Divulgação/Movimento Boa Praça

Com poucas ferramentas, moradores reformam praça com as próprias mãos

Integrantes do Movimento Boa Praça dão dicas de como revitalizar espaço público e tornar banco de concreto mais confortável

O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 12h47

Furadeira elétrica, tábuas de madeira, parafusos, brocas e poucas ferramentas são o suficiente para transformar uma praça. Um banco de concreto, ondulado e pouco confortável, ganha assento e encosto feitos a partir das tábuas, e assim os moradores do entorno passam mais tempo no espaço: leem livros ao ar livre, descansam sobre o novo móvel, marcam encontros e se organizam para cuidar do espaço ainda mais.

Essa é a proposta do Movimento Boa Praça, criado em 2008 com o intuito de revitalizar espaços públicos em São Paulo. O grupo trabalha tanto com a reforma de mobiliário urbano, tornando-o mais confortável, quanto com projetos de reforma maiores. Geralmente as iniciativas são feitas a partir de encontros com moradores.

“Nossa intenção é que as pessoas que vivem no entorno de uma praça se conheçam e se mobilizem, e passem a cuidar – junto com o poder público e com empresas locais, como o comércio do entorno – desse lugar que é de todos”, explica a fundadora do movimento, Carolina Tarrio. “As pessoas começam a se conectar, se conhecer, e cada uma sabe que habilidade tem, e a gente vai pensando em como transformar esse lugar.”

Madeira é a matéria-prima utilizada pelo engenheiro mecânico Raimundo Nóbrega, que faz parte do movimento. Ele projeta e constrói mesas, bancos e até instalações com pequenas torres, pontes e pinguelas que servem como brinquedo para crianças. O Estado acompanhou a reforma do último banco de concreto ondulado na praça Antonio Resk, no bairro do Sumaré, na região oeste da capital. Outros quatro equipamentos já haviam sido instalados no local.

As tábuas podem vir de doações feitas por moradores, encontradas em caçambas de descarte ou até compradas com a contribuição de vários moradores. Muitas vezes o material sobra de construções e reformas em residências e é reaproveitado. Para seus últimos trabalhos, Nóbrega tem utilizado tábuas de peroba rosa, que por mais de 50 anos serviram como batentes de porta em um edifício em São Paulo e lhe foram doadas. Madeira nobre, a peroba rosa não pode mais ser comercializada atualmente.

“Normalmente, quando você vai fazer intervenções em espaço público, uma das limitações que existe é não ter energia elétrica, então você vai precisar, possivelmente, de uma furadeira com bateria”, explica o engenheiro, com a ferramenta em mãos.

Após perfurar a base do concreto, ele prende duas peças que servem como suporte para as tábuas. Três peças servem como assento, e outras duas como encosto. Em outro banco da praça, a intervenção foi feita com 10 tábuas e quatro hastes de ferro. Segundo Nóbrega, os equipamentos são projetados e construídos conforme os requisitos de segurança da norma técnica NBR16071-2.

“As praças estão detonadas porque ninguém vai, ou ninguém vai porque estão detonadas?”, questiona Carolina, ao explicar a atuação do Movimento Boa Praça. A partir de um terreno baldio o grupo conseguiu que a prefeitura regional da Lapa fizesse um piso de concreto e instalasse mesas e bancos, o que se transformou na praça Antonio Resk. A partir daí os próprios moradores da região reformaram e cuidam até hoje do espaço, que tem uma horta e um sistema que armazena água da chuva. “A ideia é quebrar um pouco o círculo vicioso que a gente tem na cidade”, diz Carolina.

Confira o vídeo completo com a instalação do banco. 

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Sumaré [bairro São Paulo]

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