Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Com excedente hídrico, Rio de Janeiro sofre com a poluição

Governo do Rio precisa investir R$ 1,4 bilhão para evitar desabastecimento a partir de 2015

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

22 Março 2010 | 12h16

Ao inaugurar a Adutora de Guandu, responsável pelo abastecimento de água pelo abastecimento de água da região metropolitana do Rio, o então governador da Guanabara Carlos Lacerda fez uma promessa: "Água até o ano 2000." Era 1966 e a população vinha sofrendo com sucessivas crises de escassez. Mais de 40 anos depois, o relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) faz um alerta. É preciso investir R$ 1,4 bilhão no Estado para evitar o desabastecimento a partir de 2015.

 

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O problema não é a escassez de água. O Rio tem excedente de recursos hídricos. Mas a qualidade está comprometida. "O Guando tem disponibilidade hídrica, mas é preciso ampliar as estações de tratamento e fazer obras de coleta e tratamento de esgoto", afirmou o superintendente-adjunto da agência, Sérgio Ayrimoraes Soares.

 

O Guandu não é um rio caudaloso. Ele cresce ao receber dois terços da água do Rio Paraíba do Sul, que é desviado em Barra do Piraí. A água vira energia elétrica numa estação da Light e depois alimenta o Guandu, responsável pelo abastecimento 9 milhões de pessoas de oito municípios.

 

A 300 metros da estação de tratamento da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), três rios menores deságuam no Guandu - Poços, Queimado e Ipiranga. Esses rios têm cor escura, que demoram a se misturar à água barrenta do Guandu. Vêm carregados de esgoto - cerca de 200 milhões de litros por dia.

 

"E por azar, a tubulação que faz a captação do Guandu carrega justamente essa água escura", explica o professor Paulo Canedo, coordenador do Laboratório de Hidrologia da Coppe, pós-graduação de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "O resultado é que é preciso captar muito mais água, para diluir a sujeira, e gastar muito mais em produtos químicos para purificá-la."

 

Segundo Canedo, a necessidade que o Rio tem de transpor parte da água do Paraíba do Sul tem dois impactos. O primeiro: reduz o potencial econômico da região. "As empresas não se instalam ao longo do Paraíba porque vão ter mais dificuldade de captar água". O segundo é que sobra pouco para São Paulo, que também não tem água limpa. E quer buscá-la no Paraíba do Sul. "Essa discussão está em nível técnico e vai emergir em breve", diz o professor. Para ele, os dois lados da disputa estão errados. "Se o Rio tratasse o seu esgoto, precisaria desviar menos água. Se São Paulo não tivesse esculhambado todos os seus rios, não precisaria do Paraíba do Sul".

 

Rio canalizado

 

Para melhorar a qualidade da água que chega à estação de tratamento, a Cedae decidiu canalizar os rios poluidores. "Vamos canalizar os rios Poços, Queimado e Ipiranga, que correrão por baixo do Guandu. Vamos tirar essa água da captação", afirmou o presidente da Cedae, Wagner Victer. A obra, que vai custar R$ 50 milhões, está em fase de licenciamento ambiental.

 

Victer ressalta que os dados apresentados pela ANA são diagnóstico feito pela própria Cedae, encaminhados para a agência. "Acabamos de fazer a modernização da estação do Guandu e vamos investir mais de R$ 1 bilhão para garantir o abastecimento até 2035."

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