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Código Florestal não prejudica redução das emissões, diz chefe da delegação brasileira na COP-17

Afra Balazina, enviada especial a Durban (África do Sul)

29 Novembro 2011 | 21h 00

Ambientalistas e cientistas se preocupam com proposta pois acreditam que ela permitirá um aumento do desmatamento

 O chefe da delegação brasileira na 17ª Conferência do Clima da ONU (COP-17), o embaixador André Corrêa do Lago, negou ontem em Durban que a aprovação do Código Florestal prejudicará os compromissos assumidos pelo País para cortas as emissões de gases-estufa. Quase 200 países negociam na África do Sul um acordo para combater o aquecimento global.

Ambientalistas e cientistas estão preocupados com a proposta que deve ser votada hoje pelo Senado, pois acreditam que ela permitirá um aumento do desmatamento - maior fonte das emissões de gases-estufa do Brasil.

Ativistas do Greenpeace vestidos de árvore protestaram ontem na cidade sul-africana que sedia as negociações de clima, com cartazes com mensagens como "Senado, desliga essa motoserra".

Para o embaixador brasileiro, "o Ministério do Meio Ambiente está muito envolvido com a redução do desmatamento, a presidenta Dilma Rousseff também". "Sabemos que será impossível que o Código Florestal agrade a todos. Mas acreditamos que ele vai permitir que o Brasil continue cumprindo seu esforço de redução das emissões do desmatamento", afirmou. E completou que o País não está sendo cobrado por outros nas negociações por causa do projeto de lei e que os compromissos nacionais assumidos, como reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020, estão sendo cumpridos até "mais aceleradamente do que estava previsto".

 

Corrêa do Lago ressaltou que é muito importante nesse processo de negociação que o país tome uma decisão internamente antes de se posicionar perante os demais países.

"Por quê os Estados Unidos (que não ratificaram o Protocolo de Kyoto e não têm metas de cortes de CO2) não podem ser mais ambiciosos no que eles oferecem nessa convenção? Porque no debate interno os setores que são contrários à maior ambição na área de mudanças do clima são os que estão pressionando mais o governo, os que estão mais ativos."

Segundo ele, "é importante que esse processo negociador provoque um debate interno e que haja dentro do Brasil uma reação para combater a mudança do clima que tenha o apoio do setor econômico, ambiental, de todos os setores, levando em conta a realidade do país".

O embaixador avalia que o País já está fazendo sua parte para combater as mudanças climáticas. "Porém, pode fazer muito mais, mas o consenso tem de vir internamente. Tem de ser o resultado de um debate que vem de dentro, de avaliar os custos e as consequências disso internas."

Os países desenvolvidos avaliam, por sua vez, que países emergentes como o Brasil deveriam assumir metas obrigatórias de corte de emissões.

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