Clube de Roma prevê aquecimento de 2ºC na Terra em 40 anos

As emissões de dióxido de carbono farão a temperatura média global aumentar 2 graus Celsius até 2052, e até 2,8 graus até 2080, já que dificilmente os governos e os mercados tomarão medidas suficientes contra a mudança climática, segundo o centro internacional de estudos Clube de Roma.

NINA CHESTNEY, REUTERS

08 Maio 2012 | 11h09

Um relatório divulgado na terça-feira pelo grupo, com sede na Suíça, avalia que a mudança climática deve se tornar incontrolável na segunda metade do século se não for contida na primeira metade. O documento estima que a população global atingirá o auge em 2042, com 8,1 bilhão de habitantes, e que o crescimento econômico se desacelerará sensivelmente nas economias avançadas.

"É improvável que os governos aprovem as regulamentações necessárias para forçar os mercados a alocarem mais dinheiro para soluções climáticas, e não devemos assumir que os mercados irão funcionar para o benefício da humanidade", disse Jorgen Randers, autor do estudo.

"Estamos emitindo a cada ano o dobro dos gases do efeito estufa que são absorvidos pelas florestas e oceanos do mundo. Esse excesso irá piorar e vai atingir o auge em 2030.

Em 2010, países do mundo todo concordaram em reduzir suas emissões de modo a manter neste século o aquecimento médio global em 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. Mas o relatório do Clube de Roma prevê que esse limite será alcançado bem antes do final do século. Cientistas dizem que, depois do limite dos 2 graus, o mundo poderá enfrentar uma catástrofe climática.

Randers disse que em 2052 o consumo per capita na China já deve ser de pelo menos dois terços do consumo nos EUA, e que o crescimento médio de 14 grandes nações emergentes, incluindo Brasil, Índia e África do Sul, deve triplicar nos próximos 40 anos.

"Esse crescimento irá melhorar o padrão de vida para muitos, mas terá um custo para o clima global. Embora o crescimento não deva ser tão explosivo na China, ele ainda assim será forte o suficiente para manter as emissões dessas nações crescendo até a década de 2040", acrescentou.

Já as economias dos EUA e Europa, mais maduras, terão declínio ou estagnação no consumo, e isso deverá evitar o esgotamento dos recursos globais de petróleo, água e alimentos até 2052.

Um novo acordo climático global, envolvendo pela primeira vez a China e os EUA, que são os dois maiores poluidores do mundo, deve ser definido até 2015, para entrar em vigor até 2020 - data que especialistas dizem que deve ser tarde demais para limitar os danos.

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