Cientistas criam implante que age como vacina e elimina tumor

Testada em ratos, nova técnica pode ter vantagens sobre o tratamento com quimioterapia e cirurgias

Efe,

25 Novembro 2009 | 17h09

Cientistas americanos criaram um implante que age como uma vacina e elimina tumores cancerígenos em ratos, revelou um estudo divulgado nesta quarta-feira, 25, pela revista "Science Translational Medicine". A técnica pode ter vantagens sobre a quimioterapia e a cirurgia e poderia ser aplicada em combinação com outros tratamentos, de acordo com o relatório.

 

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Segundo os cientistas da Universidade de Harvard e do Dana-Farber Cancer Institute, o procedimento que ativa o sistema imunológico também poderia ser usado em outros mamíferos.

 

O procedimento consiste em implantar sob a pele pequenos discos plásticos impregnados com antígenos específicos que reprogramam o sistema imunológico para atacar os tumores.

 

Este trabalho mostra o poder de aplicar de forma combinada procedimentos da engenharia genética à imunologia, diz David Mooney, professor de bioengenharia da escola de engenharia e ciências aplicadas da Universidade de Harvard. "Ao combinar a engenharia com a imunologia, com a colaboração de Glenn Dranoff, do Dana-Farber Cancer Institute, conseguimos um grande avanço no desenvolvimento de vacinas efetivas contra o câncer", acrescentou.

 

O procedimento dirige o sistema imunológico para lutar contra os tumores e parece ser mais efetivo e complexo do que outras vacinas atualmente em testes clínicos, segundo o relatório. Essas imunizações convencionais extirpam as células imunológicas, as reprogramam para que ataquem os tecidos malignos e as devolvem ao sistema. No entanto, segundo os cientistas, mais de 90% dessas células morrem muito antes de terem algum efeito.

 

Os implantes de 8,5 mm de diâmetro são permeáveis às células imunológicas e liberam citocinas, que reúnem os mensageiros do sistema imunológico, chamados células dendríticas.

 

Essas células entram pelos poros do implante, onde ficam expostas aos antígenos específicos do tumor. As dendríticas dirigem as células T, um tipo de linfócitos, do sistema para localizar e matar os tumores, segundo o relatório.

 

"Inseridos em qualquer ponto da pele, como os anticoncepcionais que podem ser implantados no braço de uma mulher, os implantes ativam uma resposta imunológica que mata as células tumorais", afirmou Mooney.

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