Cidade teme 'turismo de massa' com criação estrada-parque entre Cunha e Paraty

Assunto tem sido discutido no Convention Bureau de Paraty; para diretor, é preciso debater até o número de pousadas

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

16 Março 2014 | 02h01

Enquanto na obra operários das Construtora Metropolitana e Geomecânica Engenharia, do Rio, assentam manualmente os bloquetes, preparam amparos em encostas e constroem vãos subterrâneos para circulação de animais, na entrada de Paraty a apreensão de moradores e comerciantes é evidente. "Não somos contra a estrada", declara Norival Carneiro, proprietário do Alambique Engenho D'Ouro, no km 8 da RJ-165, no pé da serra. "Mas estamos receosos com o fluxo de trânsito que virá do Vale do Paraíba, de Minas."

Dono da pousada Villa Harmonia, no bairro Caborê, a 700 metros do famoso centro histórico da cidade, o empresário Álvaro Volpe Bacelar discorda. "Não vejo problema da turma descer, ao contrário. Será bom para as duas cidades." De acordo com ele, o assunto tem sido discutido no Convention Bureau de Paraty, entidade de promoção do turismo. O Paraty CVB já atua com órgãos oficiais para tentar limitar o acesso de ônibus no que chama de "turismo de massa".

Para Sebastian Buffa, diretor executivo do Paraty CVB, a abertura da Estrada Parque não é problema. "O que tem de haver é um ordenamento do turismo que queremos", defende. "A cidade não tem vocação para turismo de massa. E isso já está acontecendo aqui, sem a Estrada Parque", afirma. Segundo Buffa, o caminho da serra será positivo porque vai encurtar o tempo de viagem e facilitar o acesso de turistas de São Paulo.

No limite. Buffa argumenta, porém, que Paraty tem ambiente voltado para história, natureza, cultura, e já está no limite do bom serviço. "Temos é de discutir o número máximo de pousadas, a legalização dessa atividade, o controle dos passeios de escuna, a abertura de restaurantes", declara. "Sobre a estrada, estamos tranquilos. Ela vai fechar à noite e não terá tráfego de ônibus."

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