Chuva branda não traz alívio para a paisagem árida

A água que caiu nas últimas semanas não ajudou a encher açudes secos nem a revitalizar os pastos devastados

Sergio Torres, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2012 | 02h08

As regiões secas do Nordeste registraram nas últimas semanas eventuais pancadas de chuva, que foram insuficientes para provocar alterações no quadro de inanição do gado e na paisagem pedregosa e árida.

Na noite do dia 10, choveu um pouco em Juazeiro do Norte, principal polo econômico do Cariri cearense. Na noite seguinte, choveu forte em Salgueiro, a cidade do sertão pernambucano para onde trabalhadores rurais têm migrado em busca de vaga nos canteiros de obra da ferrovia Transnordestina e também dos serviços de transposição do Rio São Francisco.

Nem em Juazeiro do Norte nem em Salgueiro a água que caiu ajudou a encher os açudes secos e a revitalizar os pastos devastados. "Dá uma chuvinha bem pouquinha. É 'espaciosa'", disse o lavrador Francisco Laílson, de 38 anos, referindo-se aos intervalos grandes que existem entre as chuvas.

Perdas

Laílson conta ter perdido toda a plantação de feijão e de milho. "Não tirei nada, ficou no zero", declarou. Seus vizinhos que criam gado perderam quase tudo, porque a água acabou há meses.

"Pego água na mina, a uns 3 quilômetros. Carrego na lata. Os bois morrem todo dia. E os que sobraram estão muito sofridos. Essa chuvinha não adianta nada. Tem de chover muito, e por vários dias, para a situação melhorar", disse ele, que tem vivido de biscates na roça.

Trabalho

As opções de trabalho remunerado são muito eventuais, reclama Laílson. "Eu trabalho quando acho serviço. Ou tirando lenha de algaroba (espécie vegetal resistente a estiagens e natural de zonas tropicais áridas) ou fazendo broa (corte de mato para posteriores queimada e replantio)", acrescentou.

A mortandade dos animais ocupa até metade do material de publicidade que o governo federal publicou no último dia 13 em duas páginas dos principais jornais do Nordeste, listando as providências de combate à seca e seus efeitos.

A primeira página da propaganda tem como ilustração a ossada da cabeça de um boi espetada em uma estaca de madeira. No texto que acompanha a imagem, o governo sustenta que "o Brasil aprendeu que é possível, sim, conviver com a seca, ampliando, ainda mais, a rede de estímulo e proteção aos moradores das áreas atingidas".

Intitulado "O Brasil está trabalhando duro para que a seca tenha outro cara", o material de propaganda informa que o governo já tornou disponíveis "R$ 4,1 bilhões para atender, emergencialmente, à população de 1.317 municípios". O texto diz ainda que, "caso seja necessário, os recursos serão ampliados".

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