China e Índia anunciam adesão a acordo do clima

Demora na resposta das economias mais poluidoras do mundo emergente causou preocupação mundial

AP e Reuters

10 Março 2010 | 05h10

METAS VOLUNTÁRIAS - Mulher passa ao lado de usina na periferia de Pequim; país é o maior poluidor

 

China e Índia anunciaram ontem sua decisão de aceitar o acordo de redução voluntária dos gases causadores do efeito estufa definido na Conferência do Clima em Copenhague, em dezembro. No entanto, as mensagens oficiais enviadas à secretaria de mudanças climáticas das Nações Unidas não ajudaram a elevar o otimismo em torno das negociações por um acordo internacional que possa ser fechado ainda neste ano.

 

Em um comunicado de apenas uma frase, o negociador chinês para mudanças climáticas, Su Wei, autorizou a adesão da China à lista de países que não têm metas legais, mas sim voluntárias, de diminuição dos gases de efeito estufa. A lista foi capitaneada pelo presidente americano, Barack Obama, nas horas finais da Conferência de Copenhague, depois que os chefes de Estado reunidos não conseguiram chegar a um acordo que tivesse a aprovação de todos os países participantes.

 

Assim como a China, a Índia enviou um comunicado à ONU, na segunda-feira, em que afirmava "manter o conteúdo do acordo". Mais de cem países responderam ao questionamento, feito pela Dinamarca, se manteriam a adesão ao acordo firmado em dezembro.

 

A demora na resposta das duas economias mais poluidoras do mundo emergente gerou preocupação. Sem a presença de China e Índia, o já frágil acordo climático firmado em dezembro poderia vir abaixo.

No entanto, ambos países evitaram usar a palavra "vinculante", o que foi visto como uma tentativa dos dois países de se manterem distantes de endossarem o acordo plenamente.

 

A acordo climático definido em Copenhague prevê que a comunidade internacional deve limitar o aquecimento global a 2°C em relação aos níveis pré-industriais. Mas não há um claro objetivo de redução das emissões.

 

O acordo estabeleceu também um fundo de US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para ajudar os países mais vulneráveis a enfrentar os efeitos da mudanças climáticas.

 

RANKING MUNDIAL

 

Com 1,92 bilhão de toneladas de CO2 emitidos em 2008, a China lidera o ranking mundial de poluição atmosférica, segundo informações levantadas pelo Centro de Análise de Informações sobre CO2 dos Estados Unidos. Os americanos estão na segunda colocação do ranking, com 1,54 bilhão de toneladas emitidas, seguido da Índia, com 479 milhões de toneladas. O Brasil ocupa a 15ª colocação, emitindo 111 milhões de toneladas de CO2.

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