China culpa nações ricas por impasse nas negociações climáticas

A China afirmou que os países ricos precisam comprometer-se com reduções maiores nas emissões dos gases estufa e alertou sobre a perda de confiança nas negociações para um novo pacto climático, enquanto os países ricos acusam Pequim de prejudicar os avanços.

CHRIS BUCKLEY, REUTERS

08 Outubro 2010 | 13h46

As desavenças manifestadas nesta sexta-feira sobre o futuro de um tratado crucial da ONU sobre o combate às mudanças climáticas, o Protocolo de Kyoto, diluem as esperanças de que as negociações conduzidas na cidade chinesa de Tianjin possam firmar uma base para um pacto climático novo e compulsório em 2011.

As negociações, que durarão uma semana, terminam no sábado e são as últimas antes de uma reunião de líderes mundiais em Cancún, no México, em menos de dois meses.

A primeira fase de Kyoto termina em 2012, e o que acontecerá depois disso está em disputa. Países ricos e pobres discordam sobre se Kyoto deve ser estendido ou substituído por um novo tratado que abranja todos os grandes países poluidores.

Em uma reunião de centenas de negociadores e na qual o clima foi por momentos de conflito, Huang Huikang, o representante especial da China para as negociações sobre as mudanças climáticas, disse que os negociadores estão perdendo a confiança uns nos outros.

As Nações Unidas temem que as negociações cheguem a um impasse, gerando um período de brecha na aplicação de medidas a partir de 2013, o que poderia frear o mercado de carbono de 20,6 bilhões de dólares criado pelo Protocolo de Kyoto.

Pequim quer manter Kyoto e sua divisão clara entre os deveres das economias ricas e das mais pobres, incluindo a China.

Washington e outros países ricos querem um novo pacto que reflita o aumento das emissões do mundo em desenvolvido, que hoje representam mais de metade da poluição global por gases estufa.

E a China quer que os países desenvolvidos ofereçam cortes muito maiores em suas emissões de carbono antes que as economias emergentes também mudem suas posições.

"A questão chave agora é a ausência de qualquer avanço substancial por parte dos países desenvolvidos", disse Huang a repórteres. "Se os países do Anexo 1 liderarem no processo de mitigação, suponho que os países em desenvolvimento farão sua parte."

O tratado de Kyoto obriga 37 países ricos, ou do Anexo 1, a alcançar metas quantificadas de reduções de emissões, também chamadas de metas de mitigação. Pelo tratado, os países em desenvolvimento também devem tomar medidas voluntárias para frear o aumento de suas emissões.

A chefe climática da União Europeia, Connie Hedegaard, exortou os negociadores em Tianjin a "assumirem posições conciliadoras nas próximas 24 horas."

A China é a maior emissora mundial de gases estufa, tendo ultrapassado os Estados Unidos, mas seu índice de emissões per capita ainda é bem mais baixo que os níveis ocidentais.

As discussões em Tianjin também revelaram até que ponto as negociações tortuosas são sujeitas a pressões de procedimentos.

Vários delegados disseram que a China, apoiada pelo Brasil, se opõe à abertura de uma discussão mais ampla das questões legais suscitadas pela inserção de novos números em um tratado de Kyoto estendido após 2012.

"China e Brasil acreditam que não faz sentido começar a discutir essas questões legais enquanto não há clareza sobre os números (a meta de emissões)", disse Wendel Trio, especialista do Greenpeace para mudanças climáticas.

(Reportagem adicional de Terhi Kinnunem em Helsinque)

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