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CFC é risco para o meio ambiente em troca de geladeiras

Regeneração do gás, capaz de aumentar efeito estufa, é essencial, mas tecnologia no País ainda é incipiente

Lucas Frasão e Andrea Vialli, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2009 | 18h05

O programa do governo federal para substituir 10 milhões de refrigeradores antigos, que deve entrar em operação nos próximos meses, pode se transformar em um problema ecológico, caso o gás CFC e os resíduos provenientes dos equipamentos recolhidos não sejam reciclados de maneira adequada.

 

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Isso porque, segundo especialistas ouvidos pelo Estado, o Brasil não tem tecnologia suficiente para reaproveitar corretamente o CFC, cujo potencial de aumentar o efeito estufa é 10 mil vezes mais alto do que o do gás carbônico. Além disso, autoridades e empresários debatem formas de como recolher milhões de geladeiras velhas.

 

O Programa de Substituição e Promoção de Acesso a Refrigeradores Eficientes foi apresentado pela primeira vez há pouco mais de um ano, mas teve de ser prorrogado por causa da crise financeira. Com novo prazo, deverá entrar em operação até dezembro. "Ainda estamos aguardando a definição dos recursos", diz Danilo de Jesus Vieira Furtado, coordenador do programa e assessor especial do Ministério de Minas e Energia (MME). "O governo estuda todas as alternativas existentes e não há nada decidido."

 

Com a troca de 10 milhões de geladeiras velhas, no prazo de dez anos, por equipamentos novos e mais eficientes, o governo prevê economizar 550 megawatts/hora (MWh) de energia. O desconto na conta de luz para as famílias de baixa renda, beneficiadas pelo programa, pode chegar a R$ 100 por ano.

 

Sob o ponto de vista ambiental, a maior preocupação é sobre o destino final do CFC. A fabricação de geladeiras com esse gás é proibida no Brasil desde 2001, pelo perigo que ele representa à camada de ozônio e ao aquecimento global. Os equipamentos antigos em atividade contém cerca de 100 gramas de CFC12 no circuito de refrigeração e 300 gramas de CFC11 na espuma de isolamento. Contemplados apenas os 10 milhões de geladeiras do programa, a quantidade de CFC a ser recuperada seria de 4 mil toneladas.

 

O País conta hoje com três Centros de Regeneração de CFC, todos na Região Sudeste, mas eles conseguem recuperar apenas o gás usado na refrigeração. "A tecnologia para retirar o CFC da espuma das geladeiras é mais especializada e nós ainda não temos", diz Magna Luduvice, coordenadora de Proteção da Camada de Ozônio do Ministério do Meio Ambiente.

 

Algumas empresas reciclam os resíduos de geladeiras velhas, como o metal, o plástico e a borracha. Mas o destino da espuma ainda é incerto - e o CFC contido nela seria lançado na atmosfera. "Por enquanto, a legislação ainda permite que a espuma possa ser colocada em aterros. Quando houver a tecnologia, pode ser que a legislação se adapte", diz Magna.

 

Para Diógenes Del Bel, diretor presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), o programa do governo é uma oportunidade para o País criar uma indústria de reciclagem mais consistente. "Se não houver regras claras, veremos o avanço da informalidade no desmonte das geladeiras, com consequências danosas ao ambiente." Segundo ele, não existem empresas que façam a destinação final do CFC, por incineração. "Não conheço ninguém que faça isso no Brasil."

 

Iniciativas

 

Algumas companhias de energia, orientadas a aplicar 0,5% de sua receita operacional líquida em projetos de eficiência energética, aproveitaram a medida para estimular clientes a trocarem o refrigerador velho.

 

É o caso do grupo Neoenergia, com alguns programas no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia. Até agora, 32.634 refrigeradores mais eficientes já foram doados ou vendidos.

 

Na Bahia, quem consegue comprar uma geladeira nova por até R$ 120 dentro do programa leva o equipamento para casa como pode. Recorre até mesmo a canoas e charretes puxadas por mulas.

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