Centenas de pingüins mortos e doentes chegam às praias do Rio

Explicações culpam aquecimento global, poluição, correntes marítimas e pesca predatória

AP

18 Julho 2008 | 17h50

Centenas de filhotes de pingüins arrastados da Antártida e da Patagônia estão aparecendo mortos nas praias do Rio de Janeiro, dizem responsáveis pelos resgates e especialistas em pingüins nesta sexta-feira, 18.   Foto: AP   Mais de 400 pingüins, a maior parte deles bem novos, foram encontrados mortos nas praias do Rio nos últimos dois meses, de acordo com Eduardo Pimenta, superintendente da agência de proteção ambiental e da costa da costa na cidade de Cabo Frio.   Embora seja comum encontrar alguns pingüins - tanto vivos como mortos - levados pelas fortes correntes oceânicas do estreito de Magalhães, Pimenta disse que foram encontrados mais animais neste ano que em qualquer outro da memória recente.   Especialistas estão divididos quanto às possíveis causas. Thiago Muniz, um veterinário do Zôo de Niterói, disse acreditar que o excesso de pesca forçou os pingüins a nadar mais longe para conseguir comida "e os deixou em uma posição mais vulnerável, para serem pegos por correntes oceânicas fortes."   O zoológico de Niterói, o maior do Estado, já recebeu cerca de 100 pingüins para tratamento neste ano, e muitos estão encharcados de petróleo, disse Muniz. Muniz disse não ter visto pingüins sofrendo de efeitos de outros poluentes, mas disse que animais já mortos não são levados ao zôo.   Pimenta sugeriu que a culpa é da poluição. "Além do óleo na bacia de Campos, a poluição está baixando a imunidade dos animais, deixando-os mais vulneráveis a fungos e bactérias em seus pulmões", disse, citando um biólogo que trabalha com ele.   Mas o biólogo Erli Costa, da Universidade Federal do Rio, sugeriu que padrões climáticos podem estar envolvidos. "Eu não acredito que os níveis de poluição estejam altos o suficiente para afetar os pássaros tão rapidamente. Eu acredito que estamos vendo pequenos pingüins doentes devido ao aquecimento global, que afeta as correntes oceânicas e cria mais ciclones", disse.   Costa disse que a maioria dos pingüins são filhotes que acabaram de deixar o ninho e não conseguem nadar em águas mais turbulentas, enquanto procuram por comida.   Todos os anos o Brasil manda de volta para a Antártida e Patagônia, de avião, dezenas de pingüins.

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