Capital investido em eficiência energética bate recorde em 2009

Nos EUA, 16 estados aprovaram leis para que os proprietários de imóveis melhorem o uso de energia

NYT

26 Janeiro 2010 | 19h23

O uso de energia solar e eólica pode estar atraindo atenção, mas os experts em tecnologia verde dizem que 2010 será um ano dominado pela eficiência energética - o crítico processo de cortar a quantidade de gás e eletricidade que as residências e os escritórios usam.

 

O Secretário de Energia Steven Chu da Califórnia descreve a si mesmo como um “vidrado por eficiência energética”. Dezesseis estados, incluindo a Califórnia e Nova Iorque, aprovaram legislações capacitando os proprietários residenciais a financiarem a melhora da eficiência energética por meio dos impostos.

 

E há os números. O capital investido em eficiência energética bateu um record em 2009: ao menos 115 negócios movimentaram cerca de US$ 1 bilhão, de acordo com um estudo preliminar do Cleantech Group e Deloitte. Este valor é 39% superior ao movimentado em 2008. Enquanto isso, o setor de energia solar, que teve 84 negócios fechados em 2008 somando US$ 1,2 bilhões, caiu 64% com relação ao ano retrasado, e aumentam os boatos sobre o uso de energia solar ter sido superestimado.

 

“Em 2009 houve uma retração, pois os investidores entenderam que pelo imenso volume de capital que os negócios com energia solar demandam, pode haver nichos mais seguros onde possam colocar seu dinheiro”, disse Scott Smith, líder para tecnologia limpa da Deloitte.

 

A expressão eficiência energética geralmente se refere a uma séria de tecnologias formatadas para cortar o uso intensivo de energia, como melhora da iluminação, materiais de construção mais “verdes” e softawares sofisticados que monitoram o consumo de enregia.

 

E está sendo vista cada vez mais como uma maneira efetiva de criar empregos (tão necessários), economizar o dinheiro do consumidor, livrar os EUA de sua dependência por petróleo estrangeiro e reduzir as emissões de carbono – tudo ao mesmo tempo.

 

O uso de energia pelas residências responde por 21% da pegada de carbono dos EUA – quase duas vezes as emissões dos carros de passeio de acordo o Pew Center Global Cimate Change. Há 100 milhões de residências nos EUA e medidas de economia de energia como isolamento, calafetação e melhoras no sistema de aquecimento e resfriamento podem reduzir o consumo de energia em casa em percentuais que variam de 10 a 40, de acordo com um memorando do Conselho de Aconselhamento em Recuperação Energética da Presidência. A economizar energia é economizar dinheiro: os californianos pagam uma média de US$ 84 por mês de energia, de acordo com a Agência Americana de Informação sobre Energia.

 

Kevin Surace viu a mudança que está ocorrendo no mundo corporativo de um local privilegiado. Por anos, o CEO da Serious Materials, que faz janelas e revestimentos em drywall (material que combina estruturas de aço galvanizado com chapas de gesso de alta resistência), era o único executivo de eficiência energética das conferências de tecnologia limpa.

 

“Eu me lembro de estar lá, em pé, no Fórum de Energia limpa de 2006, com um pedaço de drywall em minhas mãos, e todas as outras companhias eram dos segmentos de energia solar, eólica ou de biocombustíveis. As pessoas se perguntavam: o que ele está fazendo aqui?”

 

Agora ele é o orador por excelência em muitas das conferências às quais atende.

    

“Todas as conferências de energia limpa agora só falam em eficiência, eficiência, eficiência”, diz ele. “Quando você realmente leva a sério esse processo, cada dólar gasto em eficiência energética volta para o investidor multiplicado por quatro. Economiza o dinheiro das pessoas e cria empregos”, apregoa.

 

Uma outra empresa que vem obtendo bons resultados com o surgimento do interesse em eficiência energética é a Recurve, com sede em São Francisco, que oferece auditorias em energia residencial e remodelação de padrões nas residências em áreas litorâneas.

 

“Há cinco ou seis anos, eficiência energética era algo a que se dava pouca importância”, disse o presidente e co-fundador Matt Golden, que lembra os dias em que era visto com olhares atônitos quando falava sobre assuntos como isolamento e perdas nos sistemas de encanamento. “Todo mundo dizia: eficiência energética não dá dinheiro”.

 

A empresa, que tinha 12 empregados em 2007, cresceu para 65. Está criando um software customizado que planeja licenciar para outros parceiros na indústria de “retrofit” (adaptação das construções a padrões mais verdes).

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