Franke James
Franke James

Canadense trocou carro por padrão de vida mais sustentável

Franke James, a autora da ilustração que enfeita esta página está obviamente preocupada com seu peso para o planeta. Autora do livro Bothered by my Green Conscience (em português, “Incomodada por minha consciência verde”), premiado este ano com o Green Book Festival Award for Graphic Novels, ela fez de um suposto pecado ponto de partida para um tipo estimulante de ciberativismo ambiental.

Karina Ninni, estadao.com.br

22 Dezembro 2010 | 00h08

 

"Em 2005, eu e meu marido começamos uma reforma em casa e solicitamos uma avaliação energética. Ficamos surpresos ao constatar que tínhamos uma pontuação péssima. A pior possível: nossa casa estava vazando energia por todos os lados. Então, decidimos que, em vez de uma simples reforma, faríamos um trabalho muito melhor: colocamos isolamento, novas janelas, enfim, fizemos o serviço completo. O engraçado é que, depois de tudo concluído, recebemos a notícia de que na verdade nossa pontuação não tinha sido assim tão ruim: houve um erro na leitura dos dados. Mas, de qualquer maneira, nós achávamos que a pontuação era péssima e foi isso que nos motivou a agir.

 

Aquilo me levou a pensar na questão da eficiência energética e comecei a ler mais sobre o aquecimento global. Pensei: ‘Isso vai dominar o século 21 e precisamos conscientizar as pessoas. É preciso que todo mundo saiba o que se passa e comece a agir’. Em 2006, passei a escrever artigos sobre o tema. Mas eram longos demais, eu imaginava que ninguém teria muito tempo ou disponibilidade para ler.

 

Foi quando tive a ideia de misturar palavras e imagens para escrever histórias sobre pequenas ações que eu estava tomando para diminuir minha pegada de carbono. Uma das primeiras coisas que fizemos, eu e meu marido, foi vender nosso carro, um utilitário que tínhamos desde 1999. E então escrevi uma história sobre isso, chamada ‘My SUV and me say goodbye’ (Eu e meu utilitário nos dissemos adeus – ver ilustração acima).

 

Claro, não espero que a maioria das pessoas seja capaz de fazer isso. Para mim, até agora, foi a atitude mais difícil, mas nós queríamos fazer algo ambicioso, algo que desse a dimensão da seriedade do nosso compromisso. Encontramos tantos benefícios na venda do carro! Agora andamos mais e não podemos comprar tanto, porque não temos como carregar as compras.

 

Após vender o carro, percebemos que não precisávamos de uma passagem para a garagem e quisemos transformar a nossa, que era de concreto, em um corredor verde. A prefeitura disse que não era possível. Mas fomos para a TV e os jornais e conseguimos construí-la. Hoje passamos bons momentos em nosso novo jardim. E, o melhor de tudo, economizamos, em média, US$ 10 mil por ano. É claro que ainda faço viagens de avião quando as distâncias são muito longas. Mas eu compro créditos de carbono para compensá-las.

 

É preciso ser cuidadosa para fazer isso, comprar em um lugar confiável, com reputação. Tenho feito as compras por viagem e é muito barato: de Toronto, onde moro, até Cincinnati (EUA), eu pago entre US$ 6 e US$ 10 a viagem. Mas estou pensando em comprar um passe anual, que custa cerca de US$ 75.”/ K.N.

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